Por Gregório de Matos (1694)
Poema encomiástico atribuído a Gregório de Matos, dedicado a frei Tomás da Apresentação após um sermão proferido no primeiro domingo da Quaresma. O autor elogia a capacidade do pregador de condensar, com clareza e eloquência, em poucas palavras o conteúdo de longas pregações. O soneto compara o frade a figuras como São Francisco e Cristo, exaltando sua eficácia oratória e sua virtude religiosa.
Padre Tomás, se Vossa Reverência
Nos pregar as Paixões desta arte mesma,
Viremos a entender, que na Quaresma
Não há mais pregador do que vossência.
Pregar com tão lacônica eloqüência
Em um só quarto, o que escrevo em resma,
À fé, que o não fazia Frei Ledesma,
Que pregava uma resma de abstinência.
Quando pregar o vi, vi um São Francisco,
Senão mais eficaz, menos chagado,
E de o ter por um Anjo estive em risco.
Mas como no pregar é tão azado,
Achei, que no evangélico obelisco
É Cristo no burel ressuscitado.