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#Romances#Literatura Brasileira

O Gaúcho

Por José de Alencar (1870)

Catita tinha saltado da garupa do alazão, e observava de semblante risonho a luta dos três homens com o animal. Havia em seu rosto gentil uns assomos de orgulho satisfeito, por ter escapado, incólume e sem auxílio, ao perigo. 

— Que tal a rapariga, hein? perguntou o Lucas Fernandes. 

— Sacudida, como ela só! respondeu o rapaz. Pensei que não agüentasse. 

— E eu também! Caramba! 

— Ora, papai! disse a moça com um ligeiro muxoxo. Não caio por tão pouco; nem preciso que me segurem para saltar da sela. 

Estas palavras foram ditas com direção ao Canho, que enrolava o laço tranqüilamente. Acompanhando o olhar da filha, reparou Lucas no taciturno gaúcho. 

— Então o senhor não queria que a menina saltasse, camarada? disse o furriel de milícia com um riso cheio. 

 — Não, respondeu concisamente o gaúcho. 

— E por que razão? 

Manuel encolheu os ombros. 

— Ele tinha medo que eu caísse debaixo dos pés do alazão. Papai não o viu correndo para agarrar a mula pelo freio; mas quis mostrar que também sou gauchinha! Saltei-lhe na garupa! 

— Deveras? 

— Tal e qual! disse Manuel sorrindo. 

(continua...)

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