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#Comédias#Literatura Brasileira

O Que é o Casamento?

Por José de Alencar (1861)

Isabel — Podemos nós, Henrique, dar provas disso?... Provas que convençam Augusto e afastem de seu espírito toda a suspeita?

Henrique — Que maior prova do que a minha felicidade de hoje? Quem foi que, para nos salvar de uma paixão criminosa, me fez amar Clarinha? Quem nos inspirou a ambos com uma bondade angélica esse amor puro?... Entre todos que a amam e veneram, só ele, só aquele nobre coração não reconhecerá o anjo que Deus lhe deu por mulher? (Clarinha abre a porta da direita com estrépito)


CENA XV

Os mesmos, Clarinha e Siqueira


Clarinha — Bela, que dê o Miranda?

Isabel — Não sei, por quê?

Clarinha — O Senhor Siqueira me disse que ele ia amanhã para a cidade; e que Joaquim já levou a mala para a Estação!

Isabel — Mas há pouco Augusto saiu daqui.

Siqueira — Esteve na varanda conversando conosco; e deixou-nos para vir buscar uma carta que esquecera.

Isabel — E verdade, quando cheguei vi-o escrevendo.

Henrique (correndo à mesa, acha uma carta lacrada) — Uma carta para mim? Que quer dizer isto? (Batem na porta da esquerda que Miranda tem fechado)

Siqueira — Abre!...(lendo) — "Henrique... Há muito tempo... resolvi esta viagem... (Isabel lê igualmente) para não..."

Clarinha (simultâneo com a leitura) — Que viagem?

Siqueira — Uma viagem à Europa. (Batem de novo)

Henrique — "Para não agoniar Bela, tenho ocultado esse projeto; direi que pretendo partir no seguinte paquete... mas quando leres esta terás recebido... as minhas despedidas..." (Esta leitura é rápida)

Isabel — Meu Deus!... Não o verei mais? (Siqueira ouvindo bater terceira vez, dirigese à porta)

Clarinha — Não é possível!

Henrique — Clarinha tem razão: tranqüilize-se, Bela. (Siqueira tem aberto a porta de vidraça à esquerda, Miranda aparece)

Siqueira — Ora aqui está o Miranda!...



CENA XVI

Os mesmos e Miranda

Isabel (vendo Miranda) — Ah!..

Miranda (comovido, Henrique tem o papel na mão) — Esta carta só te devia ser entregue amanhã. Vinha buscá-la e achei a porta fechada. (Apertando-lhe a mão) Tudo ouvi, Henrique!

Clarinha — Tudo o quê?

Miranda (cingindo com o braço a cintura de Isabel, a meia voz) — Bela!... Me perdoarás tu algum dia? (Isabel reclina a cabeça sobre o peito de Miranda e quase desmaia; Miranda beija-a na fronte)

Clarinha — Bravo! (A Henrique) Não tens inveja? Abraça-me, eu dou licença!

Henrique — Com muito prazer; em paga da alegria que fizeste entrar hoje nesta casa!

Miranda (apresentando Iaiá pela mão) — Nossa filha, Bela. (Conhece que está desmaiando)

Siqueira — Uma vertigem!...

Henrique — Já passou.

Miranda (aflito) — Bela!

Isabel — Ah!...

Clarinha — Que tens?

Isabel — Não sei... A felicidade!...



FIM



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