Por Martins Pena (1848)
EUFRÁSIA – Jesus! (Tibúrcio salta do armário. Jorge deixa o braço de Mariana e, segurando em ambos os de Eufrásia, gira com ela pela sala, gritando: Sou pedreiro-livre! O diabo é meu compadre! Tibúrcio faz com Mariana tudo quanto vê Jorge fazer. As duas gritam aterrorizadas. Jorge larga a Eufrásia, que corre para dentro. Tibúrcio, que nessa ocasião está do lado esquerdo da cena larga também a Mariana, que atravessa a cena para acompanhar Eufrásia; encontra-se no caminho com Jorge, que faz-lhe uma careta e a obriga a fazer um rodeio para sair. Os dois desatam a rir.)
JORGE – Bem diz o ditado, que ri-se com gosto quem se ri por último. Luísa?
Luísa? (Para Tibúrcio:) Um abraço. Que achado!
CENA XXII Entra LUÍSA.
JORGE – Vem cá. (Conduzindo-a para Tibúrcio:) Eis aqui a paga do serviço que acaba de fazer-me. Sejam felizes se o puderem, que eu de hoje em diante, se não for feliz, hei de ao menos ser senhor em minha casa. (Aqui entram correndo Mariana e Eufrásia, como querendo fugirem de casa. Mariana trará a mantilha na cabeça e uma trouxa de roupa debaixo do braço; o mesmo trará Eufrásia. Jorge, vendo-as:) Pega nelas! (Jorge diz estas palavras logo que as vê. Corre de encontro a elas e fica por conseguinte junto a porta que dá para o interior, quando elas já estão quase junto à porta da rua. Aparece da porta um irmão das almas.)
IRMÃO – Esmola para missas das almas! (As duas quase que se esbarram, na carreira que levam, contra o irmão. Dão um grito e voltam correndo para saírem por onde entraram, mas aí encontrando Jorge, que lhes fecha a saída, atravessam a cena e, esbarrando-se do outro lado com Tibúrcio, largam as trouxas no chão e caem de joelhos a tremer.)
EUFRÁSIA – Estamos cercadas!
MARIANA – Meus senhoresinhos, não nos levem para o inferno!
JORGE – Descansem, que para lá irão sem que ninguém as leve...
AMBAS – Piedade! Piedade!
JORGE – Bravo! Sou senhor em minha casa! E eu que pensava que era mais difícil governar mulheres! (Mariana e Eufrásia conservam-se de joelhos, no meio de
Jorge, Tibúrcio e Luísa, que riem-se às gargalhadas até abaixar o pano.)
IRMÃO, enquanto eles riem e desce o pano – Esmola para missas das almas!
(Cai o pano.)
FIM.
Baixar texto completo (.txt)PENA, Martins. Os Irmãos das Almas. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2161 . Acesso em: 30 jan. 2026.