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#Dramas#Literatura Brasileira

Amor e Pátria

Por Joaquim Manuel de Macedo (1860)

Luciano – Não desprezo a herança de meu pai; revolto-me contra a afronta de meu tio. Riquezas! Eu as terei; a terra abençoada por Deus, o Brasil, minha bela e portentosa pátria, abre ao homem que trabalha um seio imenso repleto de tesouros inesgotáveis; colherei, pois, esses tesouros por minhas mãos, enriquecerei com o meu trabalho, e ninguém, ninguém jamais terá o direito de humilhar-me!

Prudêncio – É outro doido! Creio que a loucura é moléstia hereditária nesta família.

Luciano – Vossa mercê não será deportado, eu o juro; descanse; mas o seu denunciante, esse...esse miserável que se esconde nas trevas, esse...hei de conhecê-lo e curvá-lo de joelhos a meus pés, e ...adeus, senhor...Afonsina!...

Afonsina – Luciano!

Leonídia (Dentro) – Parabéns! Parabéns!

Plácido – Leonídia...

Velasco (Á parte) – Pior está essa!...

CENA XII

Os precedentes, e Leonídia

Leonídia – Plácido!...(Abraça-o) Cheguei tarde, meu amigo, tudo já estava feito:

Luciano tinha assinado uma fiança por ti e suspendido a tua deportação...

Plácido – Luciano?! perdão, meu filho! Perdoa a teu pai!

Luciano – Meu pai! O meu coração nunca o acusou...

Velasco (À parte) – Chegou o momento de por-me longe daqui...vou sair sorrateiramente...

Leonídia – Pois duvidaste de Luciano? dele, que há dois dias só se ocupa de salvar-te?

Plácido – Senhor Velasco!... (Voltando-se) Devo-lhe o ter feito a meu filho uma grande injustiça; venha defender-me...(Trá-lo pelo braço)

Velasco – Segue-se que fui enganado também...palavra de honra...palavra de honra...

Plácido – Não jure pela honra...não a tem para jurar por ela...

Prudêncio – Mas que alma de Judas foi então o denunciante?

Leonídia – Negam-me o seu nome; mas eis aqui uma carta para Luciano.

Luciano (Depois de ler) – O denunciante...Ei-lo! (Mostrando Velasco).

Plácido – Miserável!... (Luciano o suspende).

Prudêncio – Pois vocês caíram em acreditar naquele ilhéu?...

Luciano – Sirva-lhe de castigo a sua vergonha: os bons vingam-se de sobra do homem indigno, quando o expulsam da sua companhia...o denunciante é baixo e vil, e o denunciante falsário um abjeto, a quem não se dirige a palavra, nem se concede a honra de um olhar. (Sem olhá-lo, aponta para a porta, e Velasco sai confuso e envergonhado) Afonsina!

Plácido – É tua, meu filho...o altar vos espera...não nos demoremos...vamos.

Leonídia – Vai, minha filha, vai e sê feliz! (Abre-se a porta da sala do fundo; os noivos e a companhia vão para o altar: Leonídia só fica na cena, ajoelha-se e ora).



Coro –

Nas asas brancas o anjo da virtude

Os puros votos leve deste amor, E aos pés de Deus depositando-os, volte E aos noivos traga a bênção do Senhor.

Afonsina e Luciano – Minha mãe!...

Leonídia (Abraçando-os) – Meus filhos!...

Prudêncio – Agora ao banquete! Ao banquete! Estou no meu elemento!...(Ouve-se música e gritos de alegria) Misericórdia!...parece toque de rebate...

Luciano – Oh! é a feliz nova que rebenta, sem dúvida! Meu pai! Minha mãe!

Afonsina! É a Independência...eu corro...(Vai-se)

Plácido – Os sinais não são de rebate, são de alegria...

Leonídia – E Luciano...se ele se foi expor...

Afonsina Não, minha mãe; meu esposo foi cumprir o seu dever.

Prudêncio Esta minha sobrinha nasceu para general.



CENA XIII

Os precedentes, e Luciano ornado de flores

Luciano – Salve!salve! o Príncipe imortal, o paladim da liberdade chegou de S. Paulo, onde a 7 deste mês, nas margens do Ipiranga, soltou o grito “Independência ou Morte” grito heróico, que será doravante a divisa de todos os

Brasileiros...ouvi!ouvi! (Aclamação dentro Sim! – Independência ou Morte!”

Prudêncio – Por minha vida! Este grito tem assim alguma coisa que parece fogo...faz ferver o sangue nas veias, e é capaz de fazer de um medroso um herói...O diabo leve o medo!...quando se escuta um destes gritos elétricos, não há, não pode haver Brasileiro, de cujo coração e de cujos lábios não rompa esse mote sagrado...

“Independência ou Morte!”

Vozes (Dentro) – Viva a Independência do Brasil!... Viva! Viva!

CENA XIV

Os precedentes e multidão – Homens ornados de flores e folhas; um traz a bandeira nacional. Entusiasmo e alegria. Vivas à Independência.

Luciano – (Tomando a Bandeira) – Eis o estandarte nacional; Viva a nação brasileira!...

Afonsina – Dá-me essa nobre e generosa bandeira. (Toma-a) Meu pai: eis o estandarte da pátria de teus filhos! Abraça-te com ele, e adota por tua pátria a nação brasileira, que vai engrandecer-se aos olhos do mundo!...

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