Por Machado de Assis (1860)
— Quanto ao pérfido que nos iludiu, continuou Luís, estou certo de que não lhe merecerá nem uma expressão de desprezo.
Fernanda sorriu e murmurou:
— Por quê?
Luís olhou para ela com espanto. Seus olhos pareciam perguntar à moça se na realidade ele ouvira bem; por isso repetiu:
— Por quê?
E como Luís não se atrevesse a responder, a prima continuou:
— É difícil de crer que tudo isso que me referiu seja verdade; mas dado que seja, que deseja agora o primo? Que eu o ame? Nunca mais; o senhor mesmo tornou isso impossível. Que lhe perdoe? Perdôo-lhe de boa vontade...
— Mas...
— Nem só lhe perdôo; agradeço-lhe também, porque ao senhor devo eu a felicidade da minha vida.
— Como? Julga que esse homem que tão vilmente zombou da sua boa fé...
— Esse homem ama-me, e está perdoado. A história que o primo me contou já eu a sabia por boca dele mesmo, a quem desculpei tudo em troco da felicidade que me vai dar. Saiba que minha mãe consente ao nosso casamento e que este será oficialmente declarado daqui a poucos dias.
A leitora compreende, sem que seja necessário dizer-lhe, o estado do miserável moço ao ouvir estas palavras. Pegou no chapéu, cumprimentou, e foi chorar na cama que é lugar quente.
FIM
Baixar texto completo (.txt)ASSIS, Machado de. Quem boa cama faz... A Marmota, Rio de Janeiro, 1860.