Por Bernardo Guimarães (1875)
— Isaura! — continuou Álvaro com voz sempre firme e grave: — se esse algoz ainda há pouco tinha em suas mãos a tua liberdade e a tua vida, e não tas cedia senão com a condição de desposares um ente disforme e desprezível, agora tens nas tuas a sua propriedade; sim, que as tenho nas minhas, e as passo para as tuas. Isaura, tu és hoje a senhora, e ele o escravo; se não quiser mendigar o pão, há de recorrer à nossa generosidade.- Senhor! - exclamou Isaura correndo a lançar-se aos pés de Álvaro; — oh! quanto sois bom e generoso para com esta infeliz escrava!... mas em nome dessa mesma generosidade, de joelhos eu vos peço, perdão! perdão para eles...— Levanta-te, mulher generosa e sublime! — disse Álvaro estendo-lhe as mãos para levantar-se. — Levanta-te, Isaura; não é a meus pés, mas sim em meus braços, aqui bem perto do meu coração, que te deves lançar, pois a despeito de todos os preconceitos do mundo, eu me julgo o mais feliz dos mortais em poder oferecer-te a mão de esposo!...— Senhor, — bradou Leôncio com os lábios espumantes e os olhos desvairados, — aí tendes tudo quanto possuo; pode saciar sua vingança, mas eu lhe juro, nunca há de ter o prazer de ver-me implorar a sua generosidade. E dizendo isto entrou arrebatadamente em uma alcova contígua à sala. — Leôncio! Leôncio!... onde vais! — exclamou Malvina precipitandose para ele; mal, porém, havia ela chegado à porta, ouviu-se a explosão atroadora de um tiro — Ai!... — gritou Malvina, e caiu redondamente em terra. Leôncio tinha-se rebentado o crânio com um tiro de pistola.
Fim
Baixar texto completo (.txt)GUIMARÃES, Bernardo. A escrava Isaura. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=16580 . Acesso em: 21 fev. 2026.