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#Crônicas#Literatura Brasileira

No País dos Ianques

Por Adolfo Caminha (1894)

Eles, os americanos, são geralmente alegres, bem-dispostos, amigos do trabalho, compenetrados de seus deveres, e, acima de tudo, amam a sua pátria mais do que qualquer outro povo.

A pátria e a família são os seus principais objetivos. Menos egoístas que os ingleses, enérgicos e resolutos, sobra-lhes tempo e dinheiro para se divertirem.

Esse povo verdadeiramente democrático não pede lições a país nenhum:

engrandeceu à custa de seus próprios esforços e dia a dia prospera, assombrando o mundo com as suas empresas colossais.

Se a Alemanha representa no século XIX a pátria das ciências morais, aos Estados Unidos compete o primeiro lugar na ordem dos países que têm concorrido grandemente para o aperfeiçoamento e bem-estar humanos.

Enquanto as nações da Europa digladiam-se numa luta contínua, perdendo na guerra o que dificilmente acumularam em poucos anos de paz, a grande nação americana deixa-se estar quieta e desarmada, sem exército e sem marinha, confiada no seu próprio valor, no patriotismo de seus filhos, certa de que, num dado momento, cada cidadão, cada americano saberá cumprir com heroísmo o seu dever e honrar as suas tradições de povo independente e forte.

Go ahead! never mind! help yourself! — eis a máxima de todo ianque. Eles não a esquecem nunca e marcham desassombradamente na vida, como quem tem absoluta confiança no próprio valor.

Ceará, 1890.

FIM

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