Letras+ | Letródromo | Letropédia | LiRA | PALCO | UnDF



Compartilhar Reportar
#Comédias#Literatura Brasileira

O Demônio Familiar

Por José de Alencar (1857)

VASCONCELOS - Tem toda a razão; a ele é que ouvi!

ALFREDO - Sim, não há dúvida.

CARLOTINHA - Eu adivinhava!...

D. MARIA - Como? Foste tu?

PEDRO - Pedro confessa, sim senhora.

D. MARIA - Mas para quê?...

PEDRO - Para desmanchar o casamento de Sr. Azevedo.

AZEVEDO - Que tal!

VASCONCELOS - E para isso inventaste tudo o que me disseste?

PEDRO - E o que disse a Sr. Azevedo. Nhanhá Carlotinha nunca se importou com ele.

AZEVEDO - Assim, a flor?...

PEDRO - Mentira tudo.

ALFREDO E a carta?

PEDRO - Nhanhá mandava a sinhá Henriqueta.

HENRIQUETA - Então é esta!

ALFREDO - Mas a sobrescrita?

HENRIQUETA - Uma brincadeira!

ALFREDO - Perdão, D. Carlotinha!

CARLOTINHA - Não! O que eu sofri!...

EDUARDO - Por que, minha irmã? Todos devemos perdoar-nos mutuamente; todos somos culpados por havermos acreditado ou consentido no fato primeiro, que é a causa de tudo isto. O único inocente é aquele que não tem imputação, e que fez apenas uma travessura de criança, levado pelo instinto da amizade. Eu o corrijo, fazendo do autômato um homem; restituo-o à sociedade, porém expulso-o do seio de minha família e fecho-lhe para sempre a porta de minha casa. (A PEDRO) Toma: é a tua carta de liberdade, ela será a tua punição de hoje em diante, porque as tuas faltas recairão unicamente sobre ti; porque a moral e a lei te pedirão uma conta severa de tuas ações. Livre, sentirás a necessidade do trabalho honesto e apreciarás os nobres sentimentos que hoje não compreendes. (PEDRO beija-lhe a mão.)

« Primeiro‹ Anterior...1819202122Próximo ›Último »
Baixar texto completo (.txt)

← Voltar← AnteriorPróximo →