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#Crônicas#Literatura Brasileira

Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro

Por Joaquim Manuel de Macedo (1862)

Contígua a esta sala se acha a entrada para a escada da torre da igreja. Em frente a esta escada estende-se o antigo consistório do lado esquerdo do templo, longa sala que se transformou em três, separadas por paredes de tabique, e outrora reservadas para a habitação dos vice-reitores, tendo ultimamente servido para secretaria do colégio, e depois para secretaria do Instituto Comercial. Cada uma destas três salas abre uma janela para o pátio central do colégio. Da última das três passa-se, descendo três degraus, para um salão que dantes era chamado – a sala da música – porque aí dava lições dessa bela arte o competente professor.

Era também neste salão que tinha lugar o banquete dado pelo colégio aos professores e aos alunos premiados no dia da distribuição dos prêmios, no fim de cada ano. O último banquete desta ordem foi em 1849.

O salão em que estamos agora olha por quatro janelas para o pátio, e se comunica por outras tantas portas com as salas do lado direito da igreja e com a casa da Rua Estreita de S. Joaquim, que é contígua à mesma igreja.

Tendo perdido o seu antigo destino, serve atualmente o salão para os exames gerais de instrução pública e para a aula de português e caligrafia do Instituto Comercial.

A casa da Rua Estreita de S. Joaquim a que acabei de me referir é um sobrado que tem de frente cinco janelas de peitoril, três que pertencem à sala principal e duas a um gabinete. Duas alcovas e mais uma saleta de jantar resumem todas as acomodações dessa casa, que outrora serviu para a habitação dos reitores do colégio, e que, achando-se hoje desocupada, terá, segundo se diz, de receber os consertos e obras indispensáveis para se estabelecer nela o Instituto Comercial, que o externato do Imperial Colégio de Pedro II hospeda desde 1857.

Visto que visitamos as salas e a casa em que habitaram alguns reitores (dois) e os vice-reitores do Imperial Colégio de Pedro II, justo é que recordemos os nomes daqueles que ocuparam tão importantes cargos.

O primeiro reitor do Imperial Colégio de Pedro II foi D. frei Antônio d’Arrábida, bispo de Anemúria, que entrou no exercício da reitoria a 4 de março de 1838, residindo sempre no convento de S. Antônio. Diz-se que se achou logo em desinteligência com o ministro Vasconcelos, retirando-se por isso da direção do colégio a 7 de outubro do mesmo ano, e obtendo a sua demissão de reitor por decreto de 25 de junho de 1839.

O segundo reitor foi o Sr. Joaquim Caetano da Silva, nomeado por decreto de 26 de junho de 1839, e exonerado desse cargo por decreto de 28 de novembro de 1851, quando teve a nomeação de encarregado de negócios do Brasil na Holanda.

O terceiro reitor foi o Sr. capitão-de-mar-e-guerra reformado e lente da Academia de Marinha jubilado José de Sousa Correia. O decreto de 28 de novembro de 1851 marca a data da sua nomeação, e o de 28 de julho de 1855 a da sua demissão, que obteve a pedido.

O quarto e último reitor do Imperial Colégio de Pedro II foi o Sr. Dr. Manuel Pacheco da Silva, nomeado por decreto de 28 de julho de 1855. Como, porém, entrasse em exercício a 10 de setembro seguinte, serviu de reitor desde 28 de julho até aquela data o professor Sr. Jorge Furtado de Mendonça.

O decreto de 24 de outubro de 1857 dividiu o Imperial Colégio de Pedro II em internato e externato, tendo cada uma destas casas colegiais o seu competente reitor. Assim, pois, ficou ocupando esse cargo no externato o mesmo Sr. Dr. Manuel Pacheco da Silva, e foi nomeado reitor do internato, por um decreto de fevereiro de 1858, o Sr. Dr. Joaquim Marcos de Almeida Rego, que presidiu à criação do estabelecimento, e ainda atualmente o dirige.

Têm sido vice-reitores do Imperial Colégio de Pedro II os srs.

padre José Inácio de Carvalho Freitas, de 29 de abril de l838 a 29 de julho seguinte, servindo interinamente.

Padre Leandro Rebelo Peixoto e Castro, de 28 de agosto de 1838 a 30 do mesmo mês de 1839.

Frei Rodrigo de S. José da Silva Pereira, de 6 de março de 1840 a 25 de abril de 1853, dia em que faleceu.

Frei Luís da Conceição Saraiva, nomeado interinamente para servir no impedimento do precedente, e depois efetivo até 28 de junho de 1855.

Jorge Furtado de Mendonça, nomeado interinamente a 28 de junho de 1855, entrou logo em exercício residindo no colégio até à posse do novo reitor, o Sr. Dr. Manuel Pacheco da Silva, e sendo, enfim, exonerado a instâncias suas.

Frei José da Purificação Franco, nomeado por decreto de 18 de setembro de 1855.

A reforma do colégio, em 1857, determinou a necessidade de dois vice-reitores. O Sr. Frei José da Purificação Franco passou a ocupar a vice-reitoria do internato, e o Sr. Jorge Furtado de Mendonça, cuja nomeação, aliás, não foi apresentada, serviu de vice-reitor nos exames de 1858, e conseguiu a sua exoneração por decreto de 1º de novembro de 1859.

É hoje vice-reitor do externato o Sr. cônego Félix Maria de

Freitas Albuquerque, nomeado por decreto de 2 de setembro de 1859.71

(continua...)

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