Por Joaquim Manuel de Macedo (1862)
João Antônio Gonçalves da Silva nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 26 de fevereiro de 1828. Destinado a seguir a carreira das letras, matriculou-se no Imperial Colégio de Pedro II, cujos estudos fez com grande aproveitamento, merecendo ser premiado em diversos anos. Em 1845, tomou o grau de bacharel em letras. Matriculou-se depois na Escola Militar, que freqüentou por algum tempo, deixando-a, porém, por motivos estranhos à sua vontade.
Dedicando-se ao magistério, ganhou logo uma justa reputação, ensinando diversas matérias no colégio que ainda não perdeu o nome de seu ilustre fundador: o colégio Marinho.
Em 1858, a 26 de fevereiro, no dia do seu aniversário natalício foi nomeado professor da cadeira de história e geografia antiga do Imperial Colégio de Pedro II. Em 12 de março de 1859, recebeu a nomeação de professor de francês da Escola de Marinha, e logo depois, a de latim e francês da Escola Central .
Em 1861, a 31 de janeiro, uniu-se pelos laços do himeneu a uma digna senhora escolhida pelo seu coração. Quando, porém, saudava a felicidade, caiu ferido por uma enfermidade cruel que devia levá-lo ao túmulo; e quatro meses e meio depois do seu casamento, e no fim de dois meses de incessantes e dolorosos padecimentos, deu a alma a Deus, no dia 18 de julho de 1861.
A dor e o pranto dos seus colegas, numerosos amigos e discípulos fizeram o mais completo elogio das excelentes qualidades do bacharel Gonçalves.
Este digno fluminense, o bacharel João Antônio Gonçalves da Silva, era ativo e severo no cumprimento dos seus deveres. Grave e muitas vezes austero na cadeira de professor, brincalhão, espirituoso e sempre alegre no seio da amizade.
Era um companheiro com quem se podia contar para o traba lho como para a alegria. Ninguém era mais laborioso que ele, e ninguém podia estar triste ao seu lado.
Cultivando sempre as matérias que estudara no colégio de que era filho, pôde ensinar a história e geografia, latim, francês, grego e matemáticas. Não era profundo em todas essas matérias. Tinha, porém, o dom de ensinar, e os seus discípulos aproveitavam sempre muito.
O bacharel Gonçalves pertenceu a diversas sociedades literárias. Amava bastante o teatro, e a Ópera Nacional deveu-lhe bons serviços em seu berço e nos dias de suas mais belas esperanças, pois que ele se prestou gratuitamente a ensinar aos artistas novéis dessa companhia que o amor da arte e o patriotismo improvisaram na cidade do Rio de Janeiro.
O bacharel João Antônio Gonçalves da Silva ainda é hoje e será por muito tempo saudosamente lembrado pelos seus colegas, amigos e discípulos.
A cadeira de doutrina cristã e história sagrada, criada em 1859 no Imperial Colégio de Pedro II, é ocupada pelo Sr. Cônego Félix Maria de Freitas Albuquerque.
A de italiano pelo Sr. Dr. Luís Vicente de Simoni.
A de desenho coube, em 1838, ao Sr. Manuel de Araújo Porto Alegre, que foi substituído pelo Sr. Cândido Mateus de Faria Pardal.
Têm sido professores de música: Januário da Silva Aryolos e os srs. Francisco da Luz Pinto e José Joaquim Goiano, que o é atualmente.
Têm ensinado ginástica os Srs. Guilherme Luís de Taube, Frederico Hoppe, Antônio Francisco da Gama e Pedro Guilherme Mayer; e dança, os srs. João José da Rocha, que a ensina ainda no internato, e Júlio Toussain, que a ensina no externato.
Acabei, enfim, de fazer a enumeração e de declinar os nomes de todos os professores que tem tido o Imperial Colégio de Pedro II. Provavelmente já me condenaram como o mais terrível e teimoso de todos os maçantes. Mas eu tenho cá no espírito a minha idéia e vou passeando com ela. Quem se aborrecer da minha companhia pode bem me deixar sem mesmo passar pelo incômodo de uma despedida.
Sem a menor dúvida, deixei de apresentar notas biográficas de alguns antigos professores do colégio, que a morte já levou deste mundo para a eternidade. Não me acusem, porém, de injustiça por essa omissão, que é só devida à falta de conhecimento em que estou da vida e feitos desses esquecidos.
Nada mais temos a fazer no pavimento inferior do externato do Imperial Colégio de Pedro II. Voltemos, pois, à portaria, e subamos ao andar superior pela escada principal.
A escada que se levanta à mão esquerda de quem entra da rua na portaria é em dois lanços, sendo o primeiro de degraus de pedra e o segundo de degraus de madeira, e vai terminar em um corredor que abre três janelas para o pátio central do colégio.
Ao lado direito da escada fica uma sala chamada da reitoria, porque é aí que despacha o reitor do externato. Esta sala tem duas janelas de sacadas de ferro para a rua, é separada do corredor por uma parede de tabique, e além de servir para os despachos da reitoria, guarda a pequena biblioteca do externato.
(continua...)
Baixar texto completo (.txt)MACEDO, Joaquim Manuel de. Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=19326 . Acesso em: 31 jan. 2026.