Por Joaquim Manuel de Macedo (1862)
Sobressaíam entre esses manuscritos os quadros da literatura brasileira, a que faltava a última parte, de que ele mais fervoroso se ocupava, quando foi atacado pela enfermidade que o levou à sepultura em 1857, tendo então apenas quarenta e seis anos de idade.
O Dr. Francisco de Paula Meneses possuiu em sumo grau o dom da palavra. Tinha imaginação viva e compreensão fácil. Era feliz nos improvisos. Muitas vezes brilhante no discurso e gozou de uma bem merecida nomeada.
A cadeira de filosofia do Imperial Colégio de Pedro II foi ocupada pelo Sr. Dr. Domingos José Gonçalves de Magalhães, e o é agora pelo Sr. padre-mestre frei José de Santa Maria Amaral. Mas, entre o ilustre poeta e o venerando e ilustrado beneditino, lecionaram interinamente a mesma matéria Santiago Nunes Ribeiro, Dr. Francisco de Paula Meneses e o Sr. bacharel Joaquim Pinto Brasil.
A cadeira em que não têm parado professores no Imperial Colégio de Pedro II é a de inglês. Pois que, entre interinos e não interinos, já se contam em vinte e quatro anos não menos de treze! Eis aqui os nomes desses professores: Srs. Diogo Mare, José Luís Alves, Guilherme Fairfax Norris, José André Garcia Ximenes, outra vez Guilherme Fairfax Norris, Dr. Ernesto Ferreira França, Dr. José Manuel Valdez y Palacios, Galiano Ravara, Ciro Cardoso de Meneses, Alberto Cumberworth, Simeão Pereira de Morais Abunaiuba, bacharel Miguel Arcanjo da Silva Costa, e enfim, Dr. Filipe da Mota Azevedo Correia.
Dizem que o número treze é infeliz. Mas contra esse pueril prejuízo está protestando o Colégio de Pedro II, que se acha muito feliz com o seu décimo-terceiro professor de inglês o Sr. Dr. Azevedo Correia.
O Dr. José Manuel Valdez y Palacios, ilustrado peruano, deixou a pátria, fugindo às reações políticas e à morte, de que estava ameaçado. Trazendo consigo um filho, sobe os Andes, e através de todas as privações, procura a terra hospitaleira do Brasil, chega ao Pará, depois de correr mil perigos, vem para o Rio de Janeiro, e aqui acha ao menos tranqüilidade e pão, embora se visse abatido pela pobreza.
O Dr. Valdez teve um recurso no magistério e foi professor público de inglês no Liceu de Niterói e no Imperial Colégio de Pedro II.
Em 1842, publicou o Dr. Valdez a relação duma parte da sua viagem de Cuzco ao Pará pelos rios Vilcamayo, Ucuyaly e Amazonas, precedida de um bosquejo sobre o estado político, moral e literário do Peru em suas três grandes épocas. É um trabalho curiosíssimo e digno de ser consultado.
Colaborou esse distinto peruano em diversos periódicos heb domadários e sustentou por mais de um ano a Nova Minerva, onde deixou um testemunho seguro dos seus variados conhecimentos.
A vida do infeliz e nobre proscrito político foi toda de saudades da pátria natal e de trabalho incessante na pátria adotiva.
Em 1844, o Dr. Valdez descansou morrendo, deixando por únicos bens na terra dois filhos menores na mais completa pobreza. Na sua bolsa não se achou recurso para dar um lençol ao seu cadáver, que foi amortalhado e levado ao último jazigo pelos professores do Imperial Colégio de Pedro II.
A cadeira de história e geografia coube, na época da fundação do colégio, ao Sr. Dr. Justiniano José da Rocha, depois ao cônego Dr. Marcelino José da Ribeira, e em seguida, ao barão de Planitz e ao Sr. João Batista Calógeras.
Em 1849, foi essa cadeira dividida em duas: na de história e geografia moderna e média, e na de história e geografia antiga, separando-se ainda interinamente da primeira a história do Brasil.
A primeira cadeira foi ocupada pelo mesmo Sr. Calógeras, e em 1850, pelo Dr. Joaquim Manuel de Macedo.
A segunda coube ao Dr. Joaquim Manuel de Macedo em 1849, e depois ao padre-mestre frei Camilo de Montserrate e ao bacharel João Antônio Gonçalves da Silva.
A interina de história do Brasil foi confiada ao Sr. Dr. Antônio Gonçalves Dias, e em breve de novo ligada à da história moderna.
Em 1858, criou-se uma aula especial de história e corografia do Brasil, uma outra de geografia geral e encarregou-se o ensino da história média ao professor de história antiga.
Foi nomeado então professor de história do Brasil o Dr. Joaquim Manuel de Macedo, e professor de geografia o Sr. Dr. Pedro José de Abreu.
A cadeira de história moderna foi ocupada interinamente pelo Sr. Dr. Domingos Jaci Monteiro, e é hoje dela professor o Sr. Dr. Joaquim Mendes Malheiros, que foi um dos primeiros que tomaram o grau de bacharel no Imperial Colégio de Pedro II.
A cadeira de história antiga e média coube ao bacharel João Antônio Gonçalves da Silva, também um dos primeiros bacharéis do colégio, e agora vai ser ocupada pelo Sr. Dr. Francisco Inácio Marcondes Homem de Melo .
(continua...)
Baixar texto completo (.txt)MACEDO, Joaquim Manuel de. Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=19326 . Acesso em: 31 jan. 2026.