Por Joaquim Manuel de Macedo (1862)
O primeiro professor de latim do Imperial Colégio de Pedro II foi o Sr. Jorge Furtado de Mendonça, cujo título teve a data de 30 de abril de 1838. Tendo-se, porém, retirado em agosto do mesmo ano, foi a cadeira de latim dividida em duas, e estas preenchidas pelo Sr. Gabriel de Medeiros Gomes, que felizmente ainda hoje leciona e é o decano dos professores do colégio, e pelo professor público de latim, João de Castro e Silva, e pelos seguintes, que se foram sucedendo, padre Manuel Antônio da Silva, Tibúrcio Antônio Craveiro, barão de Planitz, e Bernardo José Faletti, que deixou o lugar em 1849.
Nesse ano criou-se uma terceira cadeira de latim; e enquanto o Sr. Dr. Antônio de Castro Lopes tomava o posto que ocupara Faletti, e o Sr. Dr. Antônio José de Sousa, professor atual, sucedia àquele, era nomeado para a nova cadeira criada o nosso suavíssimo poeta o Sr. Dr. Antônio Gonçalves Dias, a quem sucederam o Sr. frei José de Santa Maria Amaral, e enfim, o Sr. Jorge Furtado de Mendonça, que fora um dos professores da criação do colégio, e que hoje continua a sê-lo, entregando-se aos mais sérios estudos de algumas línguas vivas e mortas, e à leitura e meditação dos poetas e dos historiadores.
Em breve, quebrou os laços que o ligavam ao comércio e dedicou-se todo às letras, adotando como um recurso a arte taquigráfica, e mais tarde, seguindo a carreira do professorado.
Ensinou filosofia em vários colégios particulares e foi professor de retórica do Imperial Colégio de Pedro II.
Escreveu em alguns jornais literários, tendo sido um dos fundadores e o último redator da Minerva Brasileira. Deixou algumas lindas canções eróticas e publicados alguns fragmentos de um poema O libertador, e outros escritos.
Santiago Nunes Ribeiro era de uma modéstia que tocava ao excesso. Triste de fisionomia, de voz muito débil e de timidez que o abatia. Mas o seu merecimento era real e incontestável.
Foi um homem que passou toda a sua vida esperando, sofrendo e quase sempre infeliz. Morreu ainda muito moço. Sentiu que ia soar para ele a hora da agonia, e saudou com um sorriso a morte.
O Dr. Francisco de Paula Meneses nasceu na freguesia de S. Lourenço, em Niterói, a 25 de agosto de 1811. Viu a primeira luz perto do sítio em que Martim Afonso, o Ararigbóia, assentara a sua aldeia depois que Mem de Sá lançou os fundamentos da cidade do Rio de Janeiro.
Mostrando muita viveza e talento desde os mais verdes anos, Francisco de Paula Meneses desejou seguir a carreira das letras, contrariando nisso a vontade de seu pai, José Antunes de Meneses. que pretendia fazê-lo seguir o curso da Academia das Belas-Artes. O pai contemporizou com o filho, esperando sempre, mas sempre debalde, vencer-lhe a vocação.
Paula Meneses matriculou-se na Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro, e em 1834 chegou ao termo do curso escolar, tomando o grau de doutor em medicina em 1838.
Em 1833, sendo ainda simples estudante da Academia Médico-Cirúrgica, foi mandado pelo governo para a vila de S. Antônio de Sá, que era de novo assolada pelas terríveis febres paludosas que tão fatais lhe foram. Aí, no campo da peste, o jovem estudante disputou com a morte e arrancou-lhe das garras vitimas feridas pela moléstia cruel.
Depois de tomar o grau de doutor em medicina, Paula Mene ses, por duas vezes, tentou em concurso público conquistar uma cadeira na escola de que era filho; e se em nenhuma delas alcançou os louros da vitória, nem por isso saiu da luta abatido pela vergonha de uma derrota humilhante. Os vencedores olharam-no com respeito depois do combate.
Em 1844, foi o Dr. Paula Meneses nomeado pelo governo de Sua Majestade professor público de retórica do município da corte, e em 1848, professor da mesma cadeira do Imperial Colégio de Pedro II, onde também lecionou interinamente, durante alguns meses, filosofia.
Apesar do labor do magistério e dos cuidados da clínica médica, que tantas fadigas lhe custavam, achava o Dr. Paula Meneses ainda tempo de sobra e ânimo bastante para se ocupar de outros e importantes trabalhos que aproveitavam ao país. Foi sempre um membro ativo e dedicado de muitas das nossas sociedades científicas e literárias. No Instituto Histórico e Geográfico do Brasil serviu de segundo secretário durante não poucos anos. Na Academia Imperial de Medicina foi também por alguns anos o redator da competente revista. Concorreu como colaborador para diversos periódicos literários e publicou uma revista literária, de que foi o principal ou quase único redator.
Deixou numerosos discursos impressos e também diversos manuscritos, entre os quais alguns infelizmente incompletos. Compôs, e não sei onde param, uma tragédia em verso endecassílabo intitulada Lúcia de Miranda, um drama e uma comédia que tinha por título A noite de S. João na roça.
(continua...)
Baixar texto completo (.txt)MACEDO, Joaquim Manuel de. Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=19326 . Acesso em: 31 jan. 2026.