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#Contos#Literatura Brasileira

O pai

Por Machado de Assis (1886)

— Filho... Pois?...

Vicente entrou na sala...

— Ajude-me, amigo, nesta empresa: eu peço o perdão de sua filha para meu filho.

— Seu filho... Quem?

— Valentim!

— Ah!

— E ao mesmo tempo pedir licença para uma reparação. Mas ouçam antes: não lhe disse algumas vezes, sr. Vicente, que eu tinha um desgosto em minha vida? Era Valentim. Saiu-me um filho mau como lhe contei na carta. Agora, como também lhe contei, fui buscá-lo. O motivo era simples. Soube da história de sua filha e fui em casa do rapaz com a intenção de fazer dele um marido capaz, custasse o que custasse. Fui ainda mais feliz. Achei-o mudado: o tempo e o infortúnio tinham-lhe mostrado o caminho errado em que andara. Trago-lhes uma pérola.

— Ah! — disse Emília lançando-se aos braços de Davi.

Dai a alguns minutos entrava na casa de Vicente o filho do poeta. Estava mudado até no rosto. Via-se que ele sofrera e aprendera com os anos.

Entrando foi ajoelhar-se aos pés de Emília e de Vicente. Ao perdão de ambos seguiu-se o casamento. Como fora convencionado os dois velhos não se mudaram, nem os dois filhos.

Valentim tornou-se um marido exemplar, um filho modelo. Esquecido o passado, cuidaram todos de fazer do presente a realidade daqueles sonhos de paz e de ventura que tantas vezes haviam tentado em sua vida.

E conseguiram.

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