Por Aluísio Azevedo (1884)
— É esse justamente o nome de meu filho. — Oh! não há só uma Maria no mundo!...
Mas D. Ângela fugira-lhe outra vez do braço para correr a uma nova vidraça. Eram agora bengalas e gravatas “à Amâncio de Vasconcelos” que lhe prendiam a atenção.
Acabavam de entrar na Rua do Ouvidor.
— Vê?...interrogou ela, muito preocupada e procurando esconder a comoção. — Ainda!
— Ah! fez o companheiro, já impaciente. — V. Ex.ª vai encontrar o mesmo nome por toda parte. — É o costume! Olhe! Se me não engano, lá está o retrato do tal Amâncio! Tenha a bondade de ver!
D. Ângela aproximou-se do retrato, correndo, e soltou logo uma exclamação:
— Mas é ele! O meu Amâncio!
E começou a rir e a chorar muito perturbada.
O velho, meio comovido e meio vexado com aquela expansão em plena Rua do Ouvidor, principiava talvez a arrepender-se de ter sido tão cavalheiro Ângela, quando esta, que estivera até aí a percorrer, como uma doida, outros mostradores, arrancou do peito um formidável grito e caiu de bruços na calçada.
Tinha visto seu filho, representado na mesa do necrotério , com o tronco nu, o corpo em sangue.
E por debaixo, em, letras garrafais:
Amâncio de Vasconcelos, assassinado por João Coqueiro no Hotel Paris, em tantos de tal.”
FIM
Baixar texto completo (.txt)AZEVEDO, Aluísio. Casa de pensão. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=16529 . Acesso em: 10 mar. 2026.