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#Poemas em verso#Literatura Portuguesa

Gosto do céu porque não creio que ele seja infinito

Por Fernando Pessoa (1914)

Este texto faz parte dos "Poemas Inconjuntos" (escritos entre 1913 e 1930), conjunto que reúne a produção dispersa de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa.


Gosto do céu porque não creio que ele seja infinito.
Que pode ter comigo o que não começa nem acaba?
Não creio no infinito, não creio na eternidade.
Creio que o espaço começa numa parte e numa parte acaba
E que aquém e além não há absolutamente nada.
Creio que o tempo tem um princípio e tem um fim,
E que antes e depois disso não havia tempo.

Porque há de ser isto falso? Falso é falar de infinitos
Como se soubéssemos o que são ou os pudéssemos entender.
Não: tudo é uma quantidade de cousas.
Tudo é definido, tudo é limitado, tudo é cousas.

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