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#Poemas em verso#Literatura Portuguesa

Sempre que penso uma cousa, traio-a

Por Fernando Pessoa (1917)

Este texto faz parte dos "Poemas Inconjuntos" (escritos entre 1913 e 1930), conjunto que reúne a produção dispersa de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa.

Sempre que penso uma cousa, traio-a.
Só tendo-a diante de mim devo pensar nela.
Não pensando, mas vendo,
Não com o pensamento, mas com os olhos.
Uma cousa que é visível existe para se ver,
E o que existe para os olhos não tem que existir para o pensamento;
Só existe diretamente para o pensamento e não para os olhos.

Olho, e as cousas existem.
Penso e existo só eu.

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