Por Aluísio Azevedo (1890)
Chegaram a casa às nove horas da noite. Piedade levava o coração feito em lama; não dera palavra por todo o caminho e logo que recolheu a pequena, encostou-se à cômoda, soluçando.
Estava tudo acabado! Tudo acabado!
Foi à garrafa de aguardente, bebeu uma boa porção; chorou ainda, tornou a beber, e depois saiu ao pátio, disposta a parasitar a alegria dos que se divertiam lá fora.
A das Dores tivera jantar de festa; ouviam-se as risadas dela e a voz avinhada e grossa do seu homem, o tal sujeito do comércio, abafadas de vez em quando pelos berros da Machona, que ralhava com Agostinho. Em diversos pontos cantavam e tocavam a viola.
(continua...)
AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=16534 . Acesso em: 15 mar. 2026.