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#Romances#Literatura Brasileira

Til

Por José de Alencar (1872)

 O brincão do rapaz, tão desembaraçado e atrevido, quando bolia com Berta em presença da irmã ou perto da gente, agora que se achava só com a menina, a grande distância de casa e num sítio ermo, tomara-se de um súbito enleio, e mostrava-se constrangido. 

 Foi a muito custo e para disfarçar o acanhamento que ele, desviando o rosto, disse à menina: 

 - Você não me quer bem! 

 - Quero, sim! acudiu a moça que recuperara sua travessa isenção. 

 - E a Miguel? 

 - Também! 

 - Mas Miguel é quase seu irmão. 

 - E você? 

 - Eu não! replicou vivamente Afonso. 

 O dito de Berta sem dúvida o molestara; pois tão prontamente e com tamanho calor o contestou ele. Ficou séria a menina, a qual lhe tornou já amuada: 

 - É sim! 

 - Mas... arriscou Afonso titubeando, os irmãos... não... se casam, Berta. 

 - Porque não é preciso! replicou a travessa com um arzinho arrebitado, que enfeitiçava. 

 - Como assim? interrogou o rapaz cujos dezoito anos se maravilhavam da importante descoberta feita pela menina. 

 - Pois então! Os irmãos não vivem juntos? Não brincam diante de todo mundo, como nós fazemos? Quem não sabe que a gente se quer bem? Mas ninguém fala mal por isso. Casar para que? Agora, aqueles que estão longe, que tem vergonha de se gostarem, é outra coisa; carecem perder o medo. Como Linda e Miguel! Estes, sim, precisam muito! 

 - É verdade! 

 - Não vê como ela anda sempre desconsolada e ele tão macambúzio? 

 - Então nós, Berta... não precisamos? insistiu Afonso. 

 - Não sei! Linda há de estar cansada de esperar-me! respondeu a menina com jeito de afastar-se. 

 Atalhou-lhe Afonso o passo. 

 - Não deixo! 

 - Solte-me, Afonso! disse Berta querendo desprender o braço da mão do rapaz. 

 - Dá o que prometeu? 

 - Que sabido! Não prometi nada! 

 - Então eu tomo! 

 - É capaz? disse Berta em tom de desafio. 

- Eu tomo mesmo! 

 E o maganão enlaçou com o braço a flexível cintura da menina, que dobrou-se com a haste da gracíola, para esquivar o rosto aos lábios cobiçosos do saboroso encarnado. 

 - Eu grito! Disse ela. 

 - Que me importa. 

 - Por vida de D. Ermelinda, Afonso! 

 - Não quer que eu tome à força? Pois me dê por sua vontade! 

 - Eu dou. 

 - Então venha. 

 - Logo. 

 - Há de ser já. 

 - Daqui a bocadinho. 

 - Assim não vale o ajuste. Dá ou não? 

 - Um só! 

 - Um para começar. 

 - Aonde? 

 - Espere, que eu lhe mostro! 

 - Não quero mostras, fale. 

 - Aqui! 

 - Na boca? Logo não vê! 

 - Que tem? 

 - Se quiser, há de ser no... no... na... Feche os olhos! 

 - Para que? 

 - Então não dou! 

 - Você quer me lograr? 

(continua...)

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