Por Martins Pena (1845)
Vozes — O fogo principiou! Vamos ver o fogo! (Saem todos correndo pela direita, em confusão.)
Narciso (levando as filhas pela mão) — Vamos, vamos ver o fogo! (Saem.)
CENA XIII
John e Bolingbrok.
John — Bravo, tudo está arranjado!
Bolingbrok — John, mim não entende nada. Que quer isto dize?
John — Espera um instante, que tudo saberás. (Entra na barraca.)
CENA XVI
Bolingbrok (só) — John é diabo. Eu está vendida. John? John? Goddam! Oh, minha coração está muito fraco, muito queimado por minha Clarice... Eu vai ataca foguetes para ela ver. John? John?
John (entrando, já sem a roupa de mágico) — Silêncio, Bolingbrok, elas não tardam.
Bolingbrok — Elas?
John — Sim, nossas amantes; para fugirem conosco.
Bolingbrok — Oh, Oh! By God! Mim está muito satisfeita.
CENA XV
Entram pela direita Virgínia e Clarice.
Virgínia — John!
Clarice (ao mesmo tempo) — Bolingbrok!
John (indo ao encontro de Virgínia )— Minha Virgínia!
Bolingbrok (indo ao encontro de Clarice) — My Clarice!
Virgínia — Lá ficou entretido com o fogo!
John — A falua está perto daqui; vamos...
Virgínia — A ti me entrego.
Bolingbrok — My dear, let us go... (Saem pelo fundo à esquerda.)
CENA XVI
Entra pela esquerda baixa Jeremias.
Jeremias — Já não estou muito bem aqui; temo encontrar a fúria de minha mulher por toda parte. Quero ver se me safo com John para a cidade. John? John? Henriqueta (entra pela direita alta) — Aqui o devo encontrar, que me disse o mágico...
Jeremias (sem ver Henriqueta) — Onde estará o maldito?
Henriqueta (vendo-o) — Ei-lo! Oh, patife! (Vem-se aproximando de Jeremias sem ser vista.)
Jeremias — Se encontra-me, leva-me o diabo; que ela anda em minha procura, não há dúvida. Ah, centopéia do diabo! (Aqui atacam bombas dentro e o teatro fica iluminado pelo clarão do fogo. Henriqueta, que nesse tempo está junto de Jeremias, dá-lhe uma bofetada que o atira no chão.) Oh, que bomba!
Henriqueta — É uma girândola, patife! (Jeremias levanta-se apressado e deita a correr para o fundo, e Henriqueta o segue. Henriqueta, correndo:) Espera, patife, espera! (Saem correndo e desce o pano.)
Fim do primeiro ato.
ATO SEGUNDO
A cena passa-se na Bahia. O teatro representa uma sala; portas laterais, e no fundo duas janelas; mesa e cadeiras.
CENA I
Virgínia e Clarice.
Virgínia (entrando pela direita) — Isto é um horror!
Clarice (acompanhando-a) — É uma infâmia!
Virgínia — Tratar-nos assim, a nós suas legítimas mulheres? E então, Clarice?
Clarice — E tu, que me dizes, Virgínia?
Virgínia — Quem podia prever tudo isto?
Clarice — Pareciam tão submissos e respeitosos, lá no Rio de Janeiro! Que mudança!
Virgínia — E casai-vos por inclinação...
Clarice — Este é o nosso castigo, minha cara irmã. Fugimos de casa de nosso pai... Por mais que me queira persuadir, foi um mau passo que demos.
Virgínia — Quem poderia prever que eles fossem ingratos? Pareciam-nos tão sinceros e mantes...
Clarice — É verdade. E no entanto, há apenas dois meses que estamos casadas, e já experimentamos todas as contrariedades que o estado traz consigo.
Virgínia — As contrariedades do estado nada seriam; com elas contava eu, razoavelmente falando. Porém o que mais me desespera é ter de aturar as manias inglesas de nossos caros maridos... Ontem, o meu quis que eu comesse, por força, rosbife quase cru.
Clarice — E o meu, que eu engolisse metade de um plum-pudding horroroso.
Virgínia — Ateimou comigo boa meia hora para que eu bebesse um copo de cerveja. Prrr... que bebida diabólica!
Clarice — E eu vi-me obrigada a beber um copo de ponche deste tamanho, que me deixou a cabeça por esses ares!
Virgínia — O que mais me mortifica é que o Sr. Jeremias esteja presenciando tudo isto e que o vá contar quando voltar para o Rio.
Clarice — E que remédio? Vamos preparar o chá, que nossos senhores não tardam.
Virgínia — Eui não! Preparem eles. Não sou sua escrava; não faço mais nada, não quero! (Batendo o pé.)
CENA II
Jeremias e as ditas.
Jeremias (entrando pela direita e falando para dentro) — Já volto, já volto, abram o champanha! (Para a cena:) Os diabos destes ingleses bebem como uma esponja! (Vendo as duas:) Oh, por que deixastes a mesa na melhor ocasião, quando se iria abrir o champanha?
Clarice — Não
gosto de champanha.
(continua...)
PENA, Martins. As Casadas Solteiras. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=17001 . Acesso em: 28 jan. 2026.