Por Mário de Andrade (1934)
O 22 era velhote. Ficou na beira da calçada com aquelas quatro malas pesadíssimas, preparou a correia, mas coçou a cabeça.
— Deixe que te ajudo, chegou o 35.
E foi logo escolhendo as duas malas maiores, que ergueu numa só mão, num esforço satisfeito de músculos. O 22 olhou pra ele, feroz, imaginando que 35 propunha rachar o galho. Mas o 35 deu um soco só de pândega no velhote, que estremeceu socado e cambaleou três passos. Caíram na risada os dois. Foram andando.
(1934-1942)
Baixar texto completo (.txt)ANDRADE, Mário de. Primeiro de Maio. Rumo, Rio de Janeiro, ano 2, n. 8, p. 11-12, jun. 1934.