Por Machado de Assis (1866)
O dr. Álvares, de quem se fala agora no fim, e cuja presença não é necessária no caso, era um médico do Norte. Luís Pinto não descobrira, nem a notícia do comendador podia ser tomada ao pé da letra. Não havia projeto de casamento; e aparentemente podia dizer se que nem namoro havia. Contudo, Luís Pinto procurou observar e nada viu.
— Sabe o que me disseram? perguntou ele daí a duas semanas a Madalena.
— Que foi?
— Disseram-me que ia casar com o dr. Álvares.
A moça não respondeu. O silêncio era constrangido; Luís Pinto desconfiou que a notícia era verdadeira.
Era verdadeira.
Um mês depois daquela conversa, Madalena anunciou às pessoas de suas relações que ia casar com o dr. Álvares.
Luís Pinto devia, não digo morrer, mas ficar abatido e triste. Nem triste, nem abatido. Não ficou coisa nenhuma. Deixou de assistir ao casamento, por um simples escrúpulo; e teve pena, de não ir comer os bolinhos das bodas.
Qual é então a moralidade do conto? A moralidade é que não basta amar muito um dia para amar sempre o mesmo objeto, e que um homem pode fazer sacrifícios por uma fortuna, que mais tarde verá ir-se-lhe das mãos sem mágoas nem ressentimento.
Baixar texto completo (.txt)ASSIS, Machado de. O pai. Jornal das Famílias. Rio de Janeiro, 1866.