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#Comédias#Literatura Brasileira

As Casadas Solteiras

Por Martins Pena (1845)

Jeremias — Conta comigo. Tenho cá minhas quizílias particulares com o pai, e boa é a ocasião para vingar-me. Que queres de mim?

John — Vai-te pôr de vigia para que ele não nos surpreenda.

Jeremias — Pronto! Dona Virgínia, Dona Clarice, adeusinho. (À parte.) Ah, meu velhinho, tu agora me pagarás o nome de extravagante que sempre me dás... (Sai pela direita.)

CENA V

Clarice — Nós os procurávamos.

Bolingbrok — Yes! Nós está aqui.

John — Há meia hora que desembarcamos, e não sabíamos para onde dirigirmonos a fim de encontrar-vos.

Virgínia — Estávamos passeando bem perto daqui e os vimos passar por diante desta barraca. Metemo-nos por entre o povo, fizemo-nos de perdidas e corremos ao vosso encontro. O velho, a estas horas, estará a nossa procura.

Bolingbrok – Está muito contente, Miss, de fala a vós. Muito contente, Miss, muito satisfeita.

Clarice — Creia que também de minha parte.

Bolingbrok — Yes! Minha parte muito satisfeita! Goddam!

John — Minha querida Virgínia, quanto sofro longe de ti.

Bolingbrok — My dear Clarice, eu fica doente longe de ti.

John — Não há para mim satisfação sem a tua companhia.

Virgínia — Sei quanto me ama.

Bolingbrok — Eu está triste como uma burro sem tua companhia.

Clarice — Conheço o quanto me estima.

John — O sono foge de meus olhos, e se alguns instantes durmo, contigo sonho.

Bolingbrok — Mim não dorme mais... Leva toda a noite espirrando.

Clarice — Espirrando?

Bolingbrok — No, no, suspirando. Yes, suspirando.

John — Quando me lembro que talvez viva sem ti, quase enlouqueço... desespero.

Bolingbrok — Quando mim lembra vive sem ti... Oh goddam, mim fica danada. By

God! Yes, fica muito... muito... Yes.

Virgínia — Meu caro John, não duvido um instante de vosso amor.

John — Querida Virgínia!

Clarice — Certa de vosso amor, com amor vos pago.

Bolingbrok — My Clarice, my Clarice!

John — Mas isto assim não pode durar.

Bolingbrok — No, no, non pode dura.

John — Teu pai ainda se opõe à nossa união?

Virgínia — Ainda. Ele diz que odeia aos ingleses pelos males que nos têm causado, e principalmente agora, que nos querem tratar como piratas.

Bolingbrok — Piratas, yes. Piratas. As brasileiras é piratas... Enforca eles...

Clarice (afastando-se) — Ah, somos piratas?

Virgínia — Muito obrigada...

Bolingbrok — No, no, Miss... Eu fala só das brasileiras machos...

Clarice — São meus patrícios.

Bolingbrok — As machos... mim não gosta deles. As brasileiras, mulheres, yes...

Esta é bela... é doce como sugar...

John — Cala-te, Bolingbrok, que não dizes senão asneiras.

Bolingbrok — Yes, mim diz asneiras... Mim é cavalo, quando está junto de vós.

(Aqui entra pela direita Narciso.)

Virgínia — É preciso termos prudência.

Narciso — Está muito bonito! Muito bonito! (Espanto dos quatro.)

John — Diabo!

Bolingbrok — Goddam!

Virgínia e Clarice — Meu pai! (Ao mesmo tempo.)

Narciso — Para isso é que se perderam de mim? Que pouca vergonha! A conversarem com dois homens...

John — Senhor, isto não teria acontecido se nos tivésseis dado a mão de vossas filhas.

Narciso — Ah, são os senhores? É o que me faltava: casá-las com ingleses! Antes com o diabo!

John — Senhor!

Bolingbrok — Senhor!

Narciso — O que é lá? (Para as duas:) Salta! Adiante de mim! Salta!

John — Virgínia, conta comigo. A despeito deste velho insensato, serás minha.

Bolingbrok — My Clarice, há de ser mulher a mim, quando mesmo este velho macaco.

Narciso — Macaco? Inglês de um dardo!

Bolingbrok — Macaco fica zangado? Mim está contente de chama macaco.

Narciso (tomando as moças pelos braços) — Vamos, senão faço algum desatino.

(Sai levando as duas.)

CENA VI

Bolingbrok (seguindo a Narciso) — Mim está contente chama macaco. (Gritando:)

Macaco!

John — Deixa-o, Bolingbrok.

Bolingbrok (voltando) — Mim está satisfeita. Macaco!

John — Vejamos o modo de ensinarmos a este velho, e vingarmo-nos.

Bolingbrok — Yes.

(continua...)

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