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#Crônicas#Literatura Brasileira

Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro

Por Joaquim Manuel de Macedo (1862)

O bacharel João Antônio Gonçalves da Silva ainda é hoje e será por muito tempo saudosamente lembrado pelos seus colegas, amigos e discípulos.

A cadeira de doutrina cristã e história sagrada, criada em 1859 no Imperial Colégio de Pedro II, é ocupada pelo Sr. Cônego Félix Maria de Freitas Albuquerque.

A de italiano pelo Sr. Dr. Luís Vicente de Simoni.

A de desenho coube, em 1838, ao Sr. Manuel de Araújo Porto Alegre, que foi substituído pelo Sr. Cândido Mateus de Faria Pardal.

Têm sido professores de música: Januário da Silva Aryolos e os srs. Francisco da Luz Pinto e José Joaquim Goiano, que o é atualmente.

Têm ensinado ginástica os Srs. Guilherme Luís de Taube, Frederico Hoppe, Antônio Francisco da Gama e Pedro Guilherme Mayer; e dança, os srs. João José da Rocha, que a ensina ainda no internato, e Júlio Toussain, que a ensina no externato.

Acabei, enfim, de fazer a enumeração e de declinar os nomes de todos os professores que tem tido o Imperial Colégio de Pedro II. Provavelmente já me condenaram como o mais terrível e teimoso de todos os maçantes. Mas eu tenho cá no espírito a minha idéia e vou passeando com ela. Quem se aborrecer da minha companhia pode bem me deixar sem mesmo passar pelo incômodo de uma despedida.

Sem a menor dúvida, deixei de apresentar notas biográficas de alguns antigos professores do colégio, que a morte já levou deste mundo para a eternidade. Não me acusem, porém, de injustiça por essa omissão, que é só devida à falta de conhecimento em que estou da vida e feitos desses esquecidos.

Nada mais temos a fazer no pavimento inferior do externato do Imperial Colégio de Pedro II. Voltemos, pois, à portaria, e subamos ao andar superior pela escada principal.

A escada que se levanta à mão esquerda de quem entra da rua na portaria é em dois lanços, sendo o primeiro de degraus de pedra e o segundo de degraus de madeira, e vai terminar em um corredor que abre três janelas para o pátio central do colégio.

Ao lado direito da escada fica uma sala chamada da reitoria, porque é aí que despacha o reitor do externato. Esta sala tem duas janelas de sacadas de ferro para a rua, é separada do corredor por uma parede de tabique, e além de servir para os despachos da reitoria, guarda a pequena biblioteca do externato.

Contígua a esta sala se acha a entrada para a escada da torre da igreja. Em frente a esta escada estende-se o antigo consistório do lado esquerdo do templo, longa sala que se transformou em três, separadas por paredes de tabique, e outrora reservadas para a habitação dos vice-reitores, tendo ultimamente servido para secretaria do colégio, e depois para secretaria do Instituto Comercial. Cada uma destas três salas abre uma janela para o pátio central do colégio. Da última das três passa-se, descendo três degraus, para um salão que dantes era chamado – a sala da música – porque aí dava lições dessa bela arte o competente professor.

Era também neste salão que tinha lugar o banquete dado pelo colégio aos professores e aos alunos premiados no dia da distribuição dos prêmios, no fim de cada ano. O último banquete desta ordem foi em 1849.

O salão em que estamos agora olha por quatro janelas para o pátio, e se comunica por outras tantas portas com as salas do lado direito da igreja e com a casa da Rua Estreita de S. Joaquim, que é contígua à mesma igreja.

Tendo perdido o seu antigo destino, serve atualmente o salão para os exames gerais de instrução pública e para a aula de português e caligrafia do Instituto Comercial.

A casa da Rua Estreita de S. Joaquim a que acabei de me referir é um sobrado que tem de frente cinco janelas de peitoril, três que pertencem à sala principal e duas a um gabinete. Duas alcovas e mais uma saleta de jantar resumem todas as acomodações dessa casa, que outrora serviu para a habitação dos reitores do colégio, e que, achando-se hoje desocupada, terá, segundo se diz, de receber os consertos e obras indispensáveis para se estabelecer nela o Instituto Comercial, que o externato do Imperial Colégio de Pedro II hospeda desde 1857.

Visto que visitamos as salas e a casa em que habitaram alguns reitores (dois) e os vice-reitores do Imperial Colégio de Pedro II, justo é que recordemos os nomes daqueles que ocuparam tão importantes cargos.

O primeiro reitor do Imperial Colégio de Pedro II foi D. frei Antônio d’Arrábida, bispo de Anemúria, que entrou no exercício da reitoria a 4 de março de 1838, residindo sempre no convento de S. Antônio. Diz-se que se achou logo em desinteligência com o ministro Vasconcelos, retirando-se por isso da direção do colégio a 7 de outubro do mesmo ano, e obtendo a sua demissão de reitor por decreto de 25 de junho de 1839.

(continua...)

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