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#Crônicas#Literatura Brasileira

Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro

Por Joaquim Manuel de Macedo (1862)

Incansável no estudo e no trabalho, e por isso sofrendo não pouco em sua saúde, tinha o barão de Planitz dias de mau humor em que facilmente se encolerizava, e então chegava às vezes a parecer menino.

Uma vez, estava ele lecionando, e empenhado em fazer compreender completamente um ponto da lição aos seus alunos, levantou-se, tomou o giz, foi à pedra, escreveu o que julgou preciso, e empunhando a flecha, começou a explicar a questão. Mas uma mosca impertinente veio pousar no nariz do professor, que a espantou debalde, porque a mosca fugia e voltava, ora a pousar-lhe na face, ora no queixo, ora outra vez no nariz. Os alunos sorriam, vendo a impaciência do barão de Planitz, que, acabando por desesperar, lançou-se atrás da mosca pela sala fora, procurando matá-la a golpes de flecha.

Os alunos ficaram sem lição, e guardaram a lembrança da história da mosca.

Era, porém, tão real e notável o merecimento do barão de Planitz, que, ainda mesmo com esta e algumas outras excentricidades, não perdeu jamais a consideração que soubera desde o princípio conquistar.

A sala, que foi sacristia, oferece-nos ao fundo uma porta que dá passagem para uma escada, por onde se vai ter à casa que era da habitação dos reitores.

No centro do edifício alarga-se um belo pátio quadrado a que prestam sombra cerca de uma dúzia de graciosas amendoeiras, e onde estão dispostos os meios necessários para os exercícios ginásticos, sendo, além disso, um lugar de recreio para os alunos, de que atualmente só se aproveitam os meio-pensionistas.

Para este pátio quadrado apresenta o edifício quatro faces. Da que fica ao lado direito da entrada acabei de falar há pouco, no que diz respeito ao pavimento inferior de que estou tratando.

As faces principais e do lado esquerdo, sempre do pavimento inferior, são formadas por uma varanda defendida por grades de ferro.

Na última face, enfim, abrem janelas para o pátio duas salas de espera dos professores e duas salas de aulas separadas por um pequeno corredor. E na face do lado esquerdo a sala do refeitório, que é vasta e asseada, e uma outra sala de aulas.

Na última face, enfim, abrem janelas para o pátio duas salas de aulas também separadas por um corredor.

Lembrarei agora os nomes dos professores cuja voz se tem feito ouvir nestas salas.

De gramática portuguesa foram professores o Sr. Dr. Joaquim Caetano da Silva e depois o Sr. Dr. João Dias Ferraz da Luz, que ocupou esta cadeira quando ainda era estudante da Escola de Medicina do Rio de Janeiro. Atualmente, e desde muitos anos, ensina esta matéria o Sr. Gabriel de Medeiros Gomes, professor de latim.

O primeiro professor de latim do Imperial Colégio de Pedro II foi o Sr. Jorge Furtado de Mendonça, cujo título teve a data de 30 de abril de 1838. Tendo-se, porém, retirado em agosto do mesmo ano, foi a cadeira de latim dividida em duas, e estas preenchidas pelo Sr. Gabriel de Medeiros Gomes, que felizmente ainda hoje leciona e é o decano dos professores do colégio, e pelo professor público de latim, João de Castro e Silva, e pelos seguintes, que se foram sucedendo, padre Manuel Antônio da Silva, Tibúrcio Antônio Craveiro, barão de Planitz, e Bernardo José Faletti, que deixou o lugar em 1849.

Nesse ano criou-se uma terceira cadeira de latim; e enquanto o Sr. Dr. Antônio de Castro Lopes tomava o posto que ocupara Faletti, e o Sr. Dr. Antônio José de Sousa, professor atual, sucedia àquele, era nomeado para a nova cadeira criada o nosso suavíssimo poeta o Sr. Dr. Antônio Gonçalves Dias, a quem sucederam o Sr. frei José de Santa Maria Amaral, e enfim, o Sr. Jorge Furtado de Mendonça, que fora um dos professores da criação do colégio, e que hoje continua a sê-lo, entregando-se aos mais sérios estudos de algumas línguas vivas e mortas, e à leitura e meditação dos poetas e dos historiadores.

Em breve, quebrou os laços que o ligavam ao comércio e dedicou-se todo às letras, adotando como um recurso a arte taquigráfica, e mais tarde, seguindo a carreira do professorado.

Ensinou filosofia em vários colégios particulares e foi professor de retórica do Imperial Colégio de Pedro II.

Escreveu em alguns jornais literários, tendo sido um dos fundadores e o último redator da Minerva Brasileira. Deixou algumas lindas canções eróticas e publicados alguns fragmentos de um poema O libertador, e outros escritos.

Santiago Nunes Ribeiro era de uma modéstia que tocava ao excesso. Triste de fisionomia, de voz muito débil e de timidez que o abatia. Mas o seu merecimento era real e incontestável.

Foi um homem que passou toda a sua vida esperando, sofrendo e quase sempre infeliz. Morreu ainda muito moço. Sentiu que ia soar para ele a hora da agonia, e saudou com um sorriso a morte.

(continua...)

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