Por Joaquim Manuel de Macedo (1862)
A cadeira de retórica do Imperial Colégio de Pedro II foi ocupa da pelos srs. Dr. Joaquim Caetano da Silva, Tibúrcio Antônio Craveiro, Santiago Nunes Ribeiro, Dr. Francisco de Paula Meneses, e o é atualmente pelo Sr. Dr. cônego Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro.
Santiago Nunes Ribeiro era natural do Chile. Vítima de uma borrasca política, viu-se ainda menino obrigado a expatriar-se, e acompanhando um seu tio e preceptor, acolheu-se ao Brasil, que lhe abriu o seio tranqüilo, benfazejo e amigo.
O tio de Santiago Nunes Ribeiro era um religioso de grande ilustração, e foi o primeiro mestre do talentoso sobrinho. Mas o religioso tinha, além da fé do altar, a fé do coração, e como disse o Sr. Porto Alegre, aquela cedeu a esta, o patriota foi maior que o frade e o proscrito sucumbiu à saudade da terra natal e aos pesares, deixando sem recursos e na mais completa orfandade o mísero sobrinho, ainda de menor idade.
O órfão de pátria e de benfeitor foi pedir pão ao comércio, e serviu de caixeiro em uma casa comercial da cidade do Rio de Janeiro durante os primeiros anos da sua juventude. Trabalhava.
Talvez me observem que estou escrevendo uma carta de nomes, paciência. Quero de boa vontade sofrer agora a pecha de maçante, para deixar informações que algum dia possam servir.
E bem quisera estar habilitado para escrever algumas palavras a respeito de cada um dos professores que a morte roubou ao colégio. Na impossibilidade, porém, de o fazer completamente, lembrarei ao menos o merecimento daqueles de quem tenho informações.
E os professores e ex-professores que ainda vivem contentem-se com a simples menção de seus nomes, e não tenham pressa de achar-se no caso dos outros.
A cadeira de ciências matemáticas foi ocupada pelo Dr. Emílio Joaquim da Silva Maia, Sr. Dr. João Dias Ferraz da Luz, sendo ainda estudante de medicina, Dr. Lino Antônio Rebelo, Sr. Dr. bacharel Antônio Machado Dias, e o é hoje pelo Sr. José Ventura Bôscoli.
Do ano de 1856 ao de 1861, serviram sucessivamente de pro fessores suplementares de matemáticas o Sr. Dr. Saturnino Soares de Meireles, o bacharel João Antônio Gonçalves, os srs. bacharel Eduardo de Sá Pereira de Castro, bacharel Manuel Buarque de Macedo Lima, Dr. Pedro José de Abreu, Dr. José da Silva Lisboa, bacharel Antônio Maria Correia de Sá, e serve hoje o Dr. João dos Santos Marques.
O Dr. Lino Antônio Rebelo foi um homem que, se não tivesse deixado na terra, esposa, e filhos, teria saudado a morte com um sorriso. Gasto na mocidade pelas privações, não teve forças para chegar à velhice.
Era natural de Buenos Aires, mas aos dois anos de idade já estava no Rio de Janeiro, onde estudou humanidades. Passou à Europa, e tomou em Bolonha o grau de doutor em ciências naturais e em matemáticas.
Em 1836, foi o D. Lino Rebelo nomeado lente substituto e logo depois proprietário da escola de arquitetos medidores da província do Rio de Janeiro, e um pouco mais tarde, professor de matemática do Imperial Colégio de Pedro II. Extinta, porém, aquela escola, teve de contentar-se com o limitadíssimo ordenado que lhe dava o colégio, e que era muito menos que os ordenados dos atuais professores.
Sobrecarregado de família e sem fortuna, e sem algum outro meio de subsistência, o Dr. Lino lutou oito anos com a mais cruel pobreza. Tinha talento e instrução, era de reconhecida probidade, e sofria profundamente ainda mais pelas privações que experimentavam sua mulher e seus filhos do que pelas próprias. Ainda era moço em anos, e já o seu aspecto era de um velho afável no trato, sorria às vezes. Mas o seu sorriso era tão triste, que fazia entristecer.
Em 1852, o governo imperial melhorou a sorte do Dr. Lino, nomeando-o inspetor da tesouraria da província de Minas Gerais. Mas, cinco anos depois, o Dr. Lino Antônio Rebelo deixava de existir.
A cadeira de francês foi ocupada primeiro por Francisco Maria Piquet, depois pelo Sr. Dr. Fernando Francisco Leça, que teve a sua jubilação, e o é agora pelo Sr. João Francisco Halbout, tendo também servido como professores suplementares o bacharel Antônio Gonçalves Silva e o Sr. bacharel Batista Caetano de Almeida Nogueira.
O colégio tem tido por professores de grego os srs. Dr. Joa quim Caetano da Silva, barão de Tautphoeus, e o Sr. Dr. Guilherme Teodoro Schieffler, que o é atualmente.
Foram professores de alemão o barão de Planitz, o Sr. barão de Tautphoeus, George Gael, e o é agora o Sr. Bertoldo Goldschmidt.
O barão de Planitz era um homem de instrução vasta e
profunda e um professor abalizado; e apesar de algumas generalidades, gozava do
respeito devido à sua ilustração e capacidade, e era muito estimado dos alunos.
(continua...)
MACEDO, Joaquim Manuel de. Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=19326 . Acesso em: 31 jan. 2026.