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#Crônicas#Literatura Brasileira

Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro

Por Joaquim Manuel de Macedo (1862)

Quanto à cerimônia da colação do grau, dispõe o decreto o seguinte: “Logo depois da distribuição dos prêmios aos alunos, o reitor, levantando-se e dizendo: ‘Principia o ato da colação do grau de bacharel em letras’ – apresentará os bacharelandos ao ministro do Império, que recebe deles o juramento que se segue, prestado sobre os Santos Evangelhos e de joelhos. ‘Juro manter a religião do Estado, obedecer e defender a S. M. o Imperador, o Sr. D. Pedro II e as instituições pátrias, concorrer quanto me for possível para a prosperidade do império e satisfazer com lealdade as obrigações que me forem incumbidas.’ Em seguida, o ministro do Império proclamará bacharel em letras o candidato que ainda se conservara de joelhos, e pondo-lhe o barrete na cabeça lhe dirá: ‘A lei vos declara bacharel em letras, cujo grau espero honreis tanto quanto o haveis sabido merecer.’”

Eu quisera achar-me habilitado para informar os meus companheiros de passeio a respeito do tempo que empregou o ministro do Império, em 1844, para preparar e meditar esta reforma do decreto de 20 de dezembro de 1843. Como, porém, não estou suficientemente informado sobre este importantíssimo ponto, fique o mundo na ignorância e privado da resolução de tão grave problema.

Em relação aos diplomas dos bacharéis, fizeram-se ainda, por aviso de 12 de janeiro de 1858, algumas alterações que não passaram de mudanças de palavras e uma indispensável alteração nas assinaturas, sendo o inspetor geral de instrução pública primária e secundária do município da corte quem somente com o reitor passou a assinar o título de aptidão.

Decreto de 25 de março de 1849, dividindo as cadeiras de la tim e de história em duas.

Carta de lei de 17 de setembro de 1851, autorizando a venda em hasta pública dos prédios pertencentes ao patrimônio do colégio, convertendo-se o seu produto em apólices.

Aviso de 12 de fevereiro de 1852, dando providências sobre o regime interno do colégio.

Decreto de 6 de março de 1852, mandando pôr em execução as instruções de 4 do mesmo mês para o regime econômico e administrativo do colégio.

Artigo 20 da carta de lei de 28 de agosto de 1853, exonerando o colégio do pagamento de décima dos seus prédios.

Aviso de 13 de fevereiro de 1854, determinando as formalidades com que devem ser feitos os exames.

Decreto de 17 de fevereiro de 1854, reformando a instrução primária e secundária no município da corte.

Decreto de 17 de fevereiro de 1855, aprovando novos estatutos para o colégio, e neles estabelecendo novo plano de estudos. Este, porém, foi tão depressa modificado, que não julgo necessaário apresentá-lo aqui.

Decreto de 24 de outubro de 1857, dividindo o Imperial Colégio de Pedro II em externato e internato, marcando novo plano de estudos, criando uma cadeira especial de história e corografia do Brasil, e tomando muitas outras e importantes providências.

O novo plano de estudo, que é o que ainda hoje se observa, é o seguinte. Primeiro ano: doutrina cristã, história sagrada, leitura e recitação de português, exercícios ortográficos, gramática nacional, gramática latina, francês, compreendendo-se simplesmente gramática, leitura e versão fácil; aritmética, abrangendo tão-somente os princípios elementares, definições e as quatro operações sobre números inteiros; geografia, compreendendo unicamente a explicação dos principais termos técnicos e das divisões gerais do globo.

Segundo ano: latim, versão fácil e construção de períodos curtos com o fim de aplicar e recordar as regras gramaticais; francês, versão, temas e conversa; inglês, compreendendo simplesmente gramática, leitura e versão fácil; aritmética, continuação até proporções; geogra fia, continuação (Ásia e África).

Terceiro ano: latim versão gradualmente mais difícil, exercícios gramaticais e temas; francês, composição, aperfeiçoamento do estudo da língua, inglês, versão mais difícil, temas; aritmética, continuação até ao fim; álgebra, até equações do 2º grau; geografia, continuação (Europa, América e Oceania); história da Idade Média.

Quarto ano: latim, versão, temas; inglês, versão, temas; geometria elementar, história moderna e contemporânea, corografia e história do Brasil, botânica e zoologia.

Quinto ano: latim, versão de autores mais difíceis, temas; inglês, composição, conversa, aperfeiçoamento do estudo da língua; trigonometria retilínea; continuação e repetição da corografia e história do Brasil; física e repetição da botânica e zoologia; grego, alemão, compreendendo apenas gramática, versão fácil.

Sexto ano: latim, continuação das matérias do ano anterior; grego, versão, temas fáceis: alemão, temas fáceis, conversa; italiano; filosofia, compreendendo a lógica e a metafísica; retórica, regras de eloqüência e de composição; história antiga; química e repetição de física.

(continua...)

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