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#Crônicas#Literatura Brasileira

Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro

Por Joaquim Manuel de Macedo (1862)

É triste a idéia de que no Imperial Colégio de Pedro II se encontre hoje apenas um único desses dez escolhidos para a direção do estabelecimento e para o ensino das matérias de que constava o plano dos estudos. Alguns vivem ainda, felizmente, seguindo, porém, diversas carreiras. Os outros a morte já os fez desaparecer da Terra.

O distinto professor de latim o Sr. Jorge Furtado de Mendon ça é o último representante dessa bela família literária que teve a glória de inaugurar o Imperial Colégio de Pedro II.

Ainda mais do que o desejo de abundar em esclarecimentos e explicações, um verdadeiro amor fraternal me convida com ardor a marcar com minuciosidade todas as mudanças que têm havido no pessoal da reitoria, vice-reitoria e professorado do Imperial Colégio de Pedro II, e muito mais me impõe o dever de visitar os jazigos dos reitores e professores que pagaram o tributo à morte; mas esse empenho me levaria agora muito longe, e eu prefiro dedicar a esse assunto um passeio especial.

No dia 12 de março de 1838 tiveram princípio os exames preparatórios dos alunos que se apresentavam para matricular-se no novo colégio, e esses exames estenderam-se até ao dia 30 do mês seguinte.

O decreto da criação deste importante colégio trouxe a data do dia aniversário natalício de Sua Majestade o Imperador o Sr. D. Pedro II. O dia da inauguração do patriótico estabelecimento foi o do aniversário do juramento da Constituição do Império, e portanto, sob gloriosos auspícios nasceu e começou ele.

Na manhã do dia 25 de março de 1838, o atual Sr. marquês de Olinda, então regente do Império, e todo o Ministério, que se compunha de Bernardo Pereira de Vasconcelos e dos Srs. Miguel Calmon Du Pin e Almeida, depois marquês de Abrantes, Joaquim José Rodrigues Torres, depois visconde de Itaboraí, Antônio Peregrino, Maciel Monteiro e Sebastião do Rego Barros, dirigiram-se ao antigo seminário de S. Joaquim, e no meio de um numeroso concurso de cidadãos assistiram e presidiram às cerimônias da inauguração do Imperial Colégio de Pedro II.

A inauguração do colégio precedeu mais de um mês ao começo dos trabalhos do ensino.

No dia 27 de abril principiaram a entrar para o colégio os alunos internos, cujo número chegou apenas a trinta no fim de maio, faltando ainda cinco dos que tinham sido aceitos. No número desses trinta contavam-se sete pobres e gratuitos. No maior dos dormitórios, que en tão já se achavam preparados, podiam caber mais cinco leitos do que os que eram necessários para acomodar os alunos internos apresentados.

O colégio oferecia já proporções para receber sessenta e cinco pensionistas.

As aulas abriram-se no dia 2 de maio, notando-se algumas irregularidades, que foram pela maior parte devidas à falta de compêndios e livros apropriados para os estudos das diversas matérias.

O estado sanitário dos colegiais foi se mostrando satisfatório e o médico Dr. Emílio Joaquim da Silva Maia, professor de ciências naturais, prestou-se a tratar gratuitamente alguns alunos, que foram acometidos de erupções de pele, aliás pouco importantes.

É completamente inútil dizer que durante os primeiros meses o serviço interno do colégio ressentia-se de muitas faltas, que foram pouco a pouco desaparecendo.

Já lá vão vinte e três anos depois do dia 25 de março de 1838, dia de festivo triunfo das letras e de faustosa conquista civilizadora, e no correr desses vinte e três anos a experiência e a sabedoria têm introduzido tantas reformas e modificações nos estatutos e planos de estudos do Imperial Colégio de Pedro II, que a história de todas essas mudanças, inovações e aperfeiçoamentos exigiria longos artigos para ser completamente desenvolvida e bem acabada.

Tenho medo de fatigar a paciência dos meus companheiros de passeio, e por isso, prefiro resumir toda a história a que me refiro, apontando simplesmente as datas e as matérias dos decretos e atos mais importantes do Governo em relação ao Imperial Colégio de Pedro II.

Submeto-me, portanto, à cruel necessidade de escrever um mal arranjado índice da legislação do colégio. Quem não tiver coragem para acompanhar-me neste trabalho pode dar por terminado o passeio de hoje, e deixar-me só, navegando por este mare magnum.

Eu principio.

Decreto de 2 de dezembro de 1837, convertendo o seminário de São Joaquim em Imperial Colégio de Pedro II.

Decreto de 31 de janeiro de 1838, dando regulamento ao Imperial Colégio de Pedro II.

Decreto de 5 de fevereiro de 1838, nomeando D. frei Antônio de Arrábida, bispo de Anemúria, reitor do Imperial Colégio de Pedro II.

29 de abril de 1838, data das nomeações dos primeiros professores do colégio.

Decreto de 14 de fevereiro de 1839, tomando novas disposições a respeito do enxoval dos alunos.

(continua...)

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