Por Ronaldo Martins
09/06/2026
O Brasil registrou uma redução de 23% no número de bibliotecas públicas e comunitárias em atividade desde 2015, o que representa o fechamento de quase 1.500 unidades no país. O levantamento, baseado em dados históricos do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), aponta que o encolhimento da rede foi provocado por cortes orçamentários contínuos na cultura e pelo impacto do isolamento social durante a pandemia, que acelerou o abandono desses espaços.
A retração da rede de bibliotecas públicas reflete a falta de repasses e de manutenção estrutural por parte dos municípios e estados. Com a compressão dos orçamentos públicos destinados à cultura e à educação nos últimos anos, muitas unidades foram desativadas por falta de pessoal qualificado (como bibliotecários) e de verba para reparos prediais ou atualização de acervos.
A crise sanitária da Covid-19, iniciada em 2020, intensificou o cenário de abandono. O fechamento temporário e obrigatório das instituições resultou na deterioração física de prédios e livros. Após o fim das restrições sanitárias, parte dos municípios optou por não reabrir as instalações, justificando a migração dos usuários para o ambiente digital.
Especialistas em políticas públicas alertam que a digitalização acelerada não substitui a função social das bibliotecas físicas no Brasil. O fechamento desses postos prejudica diretamente a população de baixa renda, que utiliza as bibliotecas não apenas para o empréstimo de livros, mas como centros de inclusão digital, salas de estudo e acesso gratuito a computadores e internet.
A perda de quase 1.500 unidades agrava o déficit de alfabetização funcional no país, concentrando o acesso à leitura em formatos digitais pagos e limitando o alcance de equipamentos culturais gratuitos nas periferias e municípios de pequeno porte.