Por Ronaldo Martins
31/03/2026
Um candidato da Fuvest decidiu processar a Universidade de São Paulo (USP) após ter a redação anulada, caso que repercutiu nas redes pela alegação de reprovação por “palavras difíceis”. A banca, porém, afirma que a nota zero ocorreu por fuga ao tema e inadequação ao tipo textual, e não pelo vocabulário utilizado.
A Fuvest estabelece, em edital, que a redação deve seguir o gênero dissertativo-argumentativo e manter estrita relação com o tema apresentado. Textos que fogem à proposta ou adotam estrutura incompatível podem receber nota zero, independentemente da qualidade linguística ou do repertório vocabular utilizado.
No caso em questão, a banca avaliadora considerou que o texto não atendia plenamente a esses critérios, o que levou à anulação. A nota da redação, que citava pensadores de forma desarticulada, foi validada por três avaliações cegas. O aluno processou a USP, mas teve a liminar negada pela Justiça.
A repercussão do episódio nas redes sociais gerou debate sobre os critérios de correção de redações em vestibulares e sobre a interpretação das justificativas dadas pelas bancas examinadoras. Especialistas em avaliação educacional destacam que rebuscamento excessivo, com termos raros, não é um problema em si, desde que o texto permaneça claro, coeso e alinhado à proposta.
O caso reacende o debate sobre o ensino de redação no Brasil e sobre a importância de não apenas dominar a norma culta, mas também compreender as exigências específicas de cada exame, como o respeito ao gênero textual e à proposta temática.