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#Entrevistas#Literaturas de Língua Portuguesa#Literatura e Outras Mídias

Entrevista com a escritora Nathália Coelho

Por Fernando Fidelix Nunes (2026)

Nathália Coelho é escritora, jornalista, pesquisadora e professora universitária. Seus textos poéticos apresentam reflexões sobre a vida na contemporaneidade por meio de questionamentos e discussão de temas existenciais. Nesta entrevista, conversamos mais detalhadamente sobre o seu livro de poemas “Avenidas de Dentro” (2022) e os desafios relacionadas à difusão da literatura do Distrito Federal.

Fernando Fidelix Nunes: O seu livro “Avenidas de Dentro” (2022) foi publicado logo após a pandemia do coronavírus. Como os múltiplos impactos sociais, políticos e econômicos desse período influenciaram a sua produção poética?

Nathália Coelho: Em 2019, eu tinha publicado o livro "A rua esquerda", também de poemas, e estava decidida a produzir um romance. Não planejei me dedicar a um segundo livro de poemas. Contudo, com a pandemia, uma forma de lidar, exatamente com todos esses conflitos que listou – sociais, políticos, econômicos –, foi escrevendo poemas. Na verdade, eu comecei sem necessariamente pensar em fazer um livro. No final de 2020, percebi que eu tinha um caderno deles, e eles se relacionavam pelo tema em comum: a pandemia e tudo que ela me suscitou enquanto sujeito que estava vivendo naquele ano. Então, sim, os impactos todos influenciaram demais a minha obra. Talvez posso dizer que eles são a raiz de tudo. Um dos primeiros poemas, "neblina", veio da observação da janela do apartamento que morava e, ao mesmo tempo, do vislumbre do que seria de nós diante do cenário catastrófico que se apresentava. Muita coisa de “Avenidas de Dentro” também reverbera de uma observância das minhas emoções, dos meus privilégios naquele momento, das relações que estabeleci com minha mãe e meu irmão no confinamento. E como esses sentimentos também se relacionavam com o que estávamos vendo acontecer, com a gestão desastrosa do ex-governo, por pura demonstração de poder ególatra. Foi um período muito visceral pra mim. Senti demais, demais.

Fernando Fidelix Nunes: Além de escritora, você é uma pesquisadora que investiga a cultura digital. Em poemas como “Silêncio”, me pareceu possível fazer uma conexão entre a sua atuação como pesquisadora e a sua obra poética, pois você problematiza aspectos da subjetividade contemporânea em relação a novas práticas emergentes dos usos das TDICs. Dessa forma, em certa medida, o seu projeto estético se alinha também com seus projetos de pesquisa?

(continua...)

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