Por Eça de Queirós (1870)
Lisboa escrevendo, debaixo das árvores e de bruços na relva, um livro que estão fazendo decolaboração, e no qual — prometem-no eles à natureza-mãe que viceja a seus olhos — levarão a pontapés ao extermínio todos os trambolhos a que as escolas literárias dominantes em Portugal têm querido sujeitar as invioláveis liberdades do espírito.Se me é lícito, por último, falar-lhe de mim, saberá, senhor re dactor, que estou recolhido numa pequena casa na província. Se ainda se lembrar de Teresinha, não estranharáque eu acrescente que estou casado há dias. Precisava disto o meu coração: da paz de um lar tranquilo. Presenciar as profundas comoções romanes cas da vida é como ter assistido a um grande naufrágio: sentese então a necessidade consoladora das coisas pacíficas: então maisque nunca se reconhece que o ser humano só pode ter a felicidade no dever cumprido. A. M. C.
A ÚLTIMA CARTA Senhor Redactor do Diário de Notícias. — Podendo causar re paro que em toda a narrativa que há dois meses se publica no fo lhetim do seu periódico não haja um sé nomeque não seja supos to, nem um só lugar que não seja hipoté tico, fica V. autorizado por via destas letras a datar o desfecho da aludida história — de Lis boa, aos vinte e sete dias do mêsde Setembro de 1870, e a subscrevê-la com os nomes dos dois signatários desta carta.
Temos a honra de ser, etc.
EÇA DE QUEIRÓS
RAMALHO ORTIGÃO
Baixar texto completo (.txt)QUEIRÓS, Eça de; ORTIGÃO, Ramalho. O Mistério da Estrada de Sintra. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=14021 . Acesso em: 30 jun. 2026.