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#Entrevistas#Literaturas de Língua Portuguesa#Literatura e Outras Mídias

Entrevista com a escritora Nathália Coelho

Por Fernando Fidelix Nunes (2026)

Fernando Fidelix Nunes: A literatura do Distrito Federal tem se consolidado gradualmente nas últimas décadas com uma ampla produção em poesia e prosa em diversos gêneros. Entretanto, os autores, em sua maioria, têm tido dificuldades em alcançar um grande público, o que se reflete nas pequenas tiragens das obras. Como você acha que é possível tornar a literatura produzida no âmbito da RIDE/DF mais popular com o público local e até nacional?

Nathália Coelho: Essa pergunta é um pouco difícil de responder. Mas acho que, talvez, eu possa dizer o que eu tentei fazer para ter mais penetração, mas não consegui ainda.

1. Formei em Jornalismo;

2. Criei um blog, publicava nas redes sociais;

3. Comecei a participar de concursos literários;

4. Publiquei em antologias;

5. Participei de coletivos de poetas;

6. Participei de saraus e outros eventos;

7. Os livros que foram sendo lançados, fiz assessoria pra eles, tentei emplacar na imprensa;

8. Participei de eventos em escolas da Educação Básica;

9. Fui lida em grupos de leitura;

10. Continuei o trabalho de divulgação dos meus livros nas redes sociais;

11. Poema meu do livro A rua esquerda foi adaptado para teatro, virou lembrança para dia das mães de uma empresa; esteve em provas e foi discutido com estudantes.

12. Talvez tenha me aproximado da academia, na área dos estudos literários, um pouco imbuída pela vontade de me legitimar enquanto escritora.

Mas eu não monetizei minhas redes sociais, não pude fazer maior tiragem, também não escrevi para jornais do eixo Rio-Sao Paulo, tampouco consegui grandes entrevistas, nem me mudei pra lá, nao tentei com mais veemência participar de realities ou ser uma profissional de grandes veículos de comunicação em entretenimento, como a Globo.

Por muito tempo pensei que tudo isso era falta de genialidade minha. E que se alguns conseguiam, eu poderia conseguir também. Mas a vida simplesmente não me levantou a esse lugar. Tudo que fiz foram pequenas, minúsculas plantações que, aos poucos, vão dando um fruto aqui outro acolá.

Acho que a gente precisa ter muito discernimento para entender que o mundo hoje é diferente e marcado profundamente pela polissemia comunicacional, o que impede de – por exemplo – um autor se destacar fortemente porque publicou num jornal impresso.

Também vale lembrar das dificuldades internas que sofremos, em função dos nossos marcadores sociais, de gênero, raça, classe social.

Em suma, falei de mim para falar sobre a Literatura do DF. Acho muitas são as tentativas individuais e em coletivo, como os eventos fomentados pelos cafés, as tentativas governamentais de colocar Brasília na rota cultural brasileira de turnês, os editais de fomento que saem, a própria UnDF com a produção científica sobre os autores daqui, em produzir material, povoar a internet, demonstrar relevância ao que temos aqui. As parcerias com outras artes, a visibilidade do DF projetada nacionalmente na TV (isso é recente, coisa da ultima década, sobretudo pela TV Globo, com produção de filmes, séries) para que entendam a nossa importância. A participação, cada vez mais massissa de autores brasilienses em prêmios literários grandes...

E talvez, aquele estalo que acontece alguma vez na vida, para alguns, de projeção, que alavanque toda uma rede que está ocorrendo já, e só estava esperando alguém que a olhasse e a escutasse.

Cora Coralina só foi conhecida na velhice. Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo... e tantas outras. Eu ainda tenho esperança, pra mim e para o DF.

Fernando Fidelix Nunes: Quais são os seus projetos artísticos futuros?

Nathália Coelho: Estou com uma expectativa de publicação de um terceiro livro de poemas, prosa poética, que vai falar sobre meu despertar racial e algumas experiências de vida como uma mulher negra parda. É um livro que está pronto desde 2023, já foi reformulado, mas ainda não teve a coragem profunda de vir ao mundo. É algo bem visceral. Mas no momento certo virá à tona. Quero publicar minha tese de doutorado e retomar um romance que comecei em 2018 e não dei continuidade por conta das muitas outras coisas que preciso me dedicar para ganhar a vida. Também tenho um projeto de lançar um livro de contos da redação, com as minhas memórias da minha década na imprensa brasiliense.

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