O mesmo amigo pediu ao poeta em outra ocasião lhe glosasse este mote, cuja matéria foi haver triunfado o dito Fr. Tomas de certa oposição capitular GREGóRIO DE MATOS (1694) Poema encomiástico atribuído a Gregório de Matos, composto para celebrar a vitória de frei Tomás da Apresentação em uma oposição capitular, disputa interna por cargo ou dignidade na ordem religiosa. Em glosa de um mote, o autor compara o frade ao Sol e seus adversários às nuvens que tentam obscurecê-lo, exaltando o triunfo do religioso e apresentando o fracasso da oposição como consequência inevitável de sua pretensão. Mote Nuvens, que em oposição o sol querem desluzir, Seus raios sabem sentir Por ser seu cuidado em vão. No céu pardo de francisco pardo à força de nublados há vapores humilhados, E soberbos com seu risco: O soberbo ao sol arisco Se põe, e o humilhado não, E o sol menos queima então As nuvens, que chegar vê em acatamentos, que Nuvens, que em oposição. As nuvens, que se lhe opõem com tão néscio atrevimento, o sol de um raio violento Queima, abrasa, e descompõe: Tudo o mais o sol dispõe Pare o manter, e cobrir criar, e reproduzir, E com razão não tem fé Co’as nuvens ingratas, que o sol querem desluzir. O sol por sua altivez, e nativo luzimento Não recebe abatimento E abatê-lo é louca empresa: quando se atreve a vileza do vapor, que o vai seguir Na nuvem, que o quer cobrir, Se a subir não tem desmaios, ao resistir dos seus raios seus raios sabem sentir. Sentem com tanto pesar, que têm por melhor partido não haver ao sol subido que subir para baixar: era força escarmentar na queda de faetão, e na icária perdição, Que estes outros se arruinaram, quando ao sol subir cuidaram, por ser seu cuidado em vão