Ao célebre Fr. Joanico compreendido em Lisboa em crimes de sodomita GREGóRIO DE MATOS (1694) Poema satírico atribuído a Gregório de Matos, provavelmente escrito durante sua permanência em Portugal ou com base em fatos ali conhecidos. O texto dirige-se ao frei Joanico, acusado de sodomia, e explora o episódio por meio de insultos, imagens grotescas e alusões à vida religiosa e carcerária. A composição integra a vertente satírica da poesia gregoriana, marcada pela crítica pessoal e pelo tom mordaz. Furão das tripas, sanguessuga humana, cuja condição grave, meiga, e pia, sendo cristel dos Santos algum dia, hoje urinol dos presos vive ufana. Fero algoz já descortês profana Sua imagem do nicho da enxovia, Que esse amargoso traje em profecia Com a lombriga racional se dana. Ah, Joanico fatal, em que horóscopos, Ou porque à costa, ou porque à vante deste, Da camandola Irmão quebraste os copos. Enfim Papagaio humano te perdeste, Ou porque enfim darias nos cachopos, Ou porque em culis mundi te meteste.