Também sei fazer conjeturas... - Penúltimo Poema FERNANDO PESSOA (1922) Este texto faz parte dos "Poemas Inconjuntos" (escritos entre 1913 e 1930), conjunto que reúne a produção dispersa de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. A Ricardo Reis Também sei fazer conjeturas... Há em cada cousa aquilo que ela é e que a anima. Na planta está por fora e é uma ninfa pequena. No animal é um ser interior longínquo. No homem é a alma que vive com ele e é já ele. Nos deuses tem o mesmo tamanho E o mesmo espaço que o corpo E é a mesma cousa que o corpo, Por isso se diz que os deuses nunca morrem. Por isso os deuses não têm corpo e alma Mas só corpo e são perfeitos. O corpo é que lhes é alma E tem a consciência na própria carne divina.