Última estrela a desaparecer antes do dia FERNANDO PESSOA (1918) Este texto faz parte dos "Poemas Inconjuntos" (escritos entre 1913 e 1930), conjunto que reúne a produção dispersa de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. Última estrela a desaparecer antes do dia, Pouso no teu trémulo azular branco os meus olhos calmos, E vejo-te independentemente de mim, Alegre pela vitória que tenho em poder ver-te Sem «estado de alma» nenhum, salvo ver-te. A tua beleza para mim está em existires. A tua grandeza está em existires inteiramente fora de mim.