Creio que irei morrer FERNANDO PESSOA (1917) Este texto faz parte dos "Poemas Inconjuntos" (escritos entre 1913 e 1930), conjunto que reúne a produção dispersa de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. Creio que irei morrer. Mas o sentido de morrer não me ocorre, Lembra-me que morrer não deve ter sentido. Isto de viver e morrer são classificações como as das plantas. Que folhas ou que flores tem uma classificação? Que vida tem a vida ou que morte a morte? Tudo são termos onde se define. A única definição é um contorno, Uma paragem, uma cor que destinge, uma (...) ...mas o Universo existe mesmo sem o Universo. Esta verdade capital é falsa só quando é dita.