De longe vejo passar no rio um navio... FERNANDO PESSOA (1917) Este texto faz parte dos "Poemas Inconjuntos" (escritos entre 1913 e 1930), conjunto que reúne a produção dispersa de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. De longe vejo passar no rio um navio... Vai Tejo abaixo indiferentemente. Mas não é indiferentemente por não se importar comigo E eu não exprimir desolação com isto... É indiferentemente por não ter sentido nenhum Exterior ao facto isoladamente maior De ir rio abaixo sem licença da metafísica... Rio abaixo até à realidade do mar.