Uma gargalhada de rapariga soa do ar da estrada FERNANDO PESSOA (1919) Este texto faz parte dos "Poemas Inconjuntos" (escritos entre 1913 e 1930), conjunto que reúne a produção dispersa de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. Uma gargalhada de rapariga soa do ar da estrada. Riu do que disse quem não vejo. Lembro-me já que ouvi. Mas se me falarem agora de uma gargalhada de rapariga da estrada, Direi: não, os montes, as terras ao sol, o sol, a casa aqui, E eu que só oiço o ruído calado do sangue que há na minha vida [dos dois lados da cabeça.