A Carolina MACHADO DE ASSIS (1906) Machado de Assis (1839–1908) compôs este soneto pungente em memória de sua esposa, Carolina, falecida em 1904. Em "A Carolina", o "Bruxo do Cosme Velho" despede-se de sua companheira de longa data com uma honestidade brutal e sensível, transpondo o luto para uma poesia que celebra a vida a dois. É um dos testemunhos mais íntimos da literatura brasileira, revelando a faceta humana de um gigante das letras em um momento de profunda dor e saudade. Um convite irrecusável à emoção. Querida, ao pé do leito derradeiro Em que descansas dessa longa vida, Aqui venho e virei, pobre querida, Trazer-te o coração do companheiro. Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro Que, a despeito de toda a humana lida, Fez a nossa existência apetecida E num recanto pôs um mundo inteiro. Trago-te ores — restos arrancados Da terra que nos viu passar unidos E ora mortos nos deixa e separados. Que eu, se tenho nos olhos malferidos Pensamentos de vida formulados, São pensamentos idos e vividos.